segunda-feira, 5 de julho de 2010

Hallo, Berlim!

01.07.10 - Berlim - Ah, com internet a vida fica mais fácil (estou escrevendo isso depois de três dias tentando acessar, por isso o blog está desatualizado).
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Bom, hoje é dia de mudar de cidade. Vamos deixar Talschen e ir para Berlim. O destino marca duas coisas boas para mim: a pimeira é que todo mundo que eu conheço falou que lá é muito bom; a segunda é que Berlim marca o quase final da viagem, o que, para mim, soa como música. Férias são uma delícia, viajar é muito bom, a Europa é show de bola, mas nada como a casinha da gente, o espaço da gente, enfim, tudo da gente. Até um "nóis vai, nóis volta" errado mesmo me faz vibrar porque é português e não rahshahhraharahaghof.
Antes de irmos embora, passamos em Erfurt, que é uma cidadezinha perto de Talschen, mas bem grandinha e bem resolvida. Fomos lá ver mais igrejas, prédios bonitos e ruas e paisagens bucólicas. Tinha uma torre que a promessa era a melhor vista da cidade. Mas eu estava enxergando muito bem ali do chão, sabe? Com o calor que estava fazendo, vontade zero de subir 237474993 degraus para ver a melhor vista.
Almoçamos em um restaurante italiano em que trabalham pessoas de 16 diferentes países. Tinha de tudo mesmo, até iraquiano. Saímos de lá rumo à estação de trem para comprar os bilhetes e zarpar. Tínhamos exatos 9 minutos para fazer isso.
Depois da correria, pegamos o trem e a viagem até Berlim durou um pouco mais de 2h30, mas estava muito difícil viajar porque o trem estava abafado e realmente muito quente por causa do sol. Verão europeu não é para iniciantes, definitivamente. Quando chegamos na estação, desembarcamos praticamente no mesmo lugar onde tem o metrô. Só precisamos comprar o bilhete da semana por 26 euros - parece caro, mas quando você pensa que é para usar por uma semana em todo o tipo de transporte e por quantas vezes por dia quiser, vê que vale muito a pena comprar.
Chegamos até a estação em que a nossa anfitriã estava, a Eva (se fala Êfa, aqui "v" tem som de "f"), amiga da Michele. De lá, fomos para a casa dela, que é perto de uma estação, mas não perto o suficiente quando se carrega três malas. E ela também não mora no andar ideal (o térreo), mas no quinto e não tem elevador. Ok, é uma lugar com cara de casa para ficar, menos mau.
Demos uma pequena volta e fomos comprar coisas para o jantar. O supermercado aqui é gigantesco. Existem um zilhão de marcas e tipos diferentes de casa produto. Só no cereal fiquei olhando uns cinco minutos até me decidir.
Em casa, jantamos e jogamos conversa fora. Quer dizer, mais elas do que eu. Porque eu estava tentar conectar a internet, mas a Eva tem uma senha que é simplesmente impossível de copiar.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Itariri da Alemanha

29.06.10 - Estamos hospedadas numa casa tipicamente alemã da parte ocidental. A arquitetura aqui é uma coisa meio estranha. Por fora, a casa é como outra qualquer. Assim que entramos, tem um hall, uma sala que era um escritório (e que ao lado fica a área de serviço) e uma escada. No segundo andar, temos duas salas: uma de estar, uma de tv, a cozinha e o banheiro (com tudo dentro). A estranheza é que as coisas não são interligadas. Eu diria que a cozinha é um quarto que foi adaptado, pela localização e pela maneira que ela está montada. É esquisito. Tem ainda um terceiro andar que deve ser um ou dois quartos, eu não sei porque não subi além do segundo.
Um problema para mim é que os moradores não falam inglês e eu não entendo nada de alemão. Me sinto meio muda, tenho que fazer mímicas, mas a parte mais bizarra ainda estava por vir. Chegamos pouco depois da uma da tarde e tínhamos um almoço nos esperando: uma couve-flor fervida sem qualquer tempero, batatas cozidas, champignon souté e umas salsichas de tofu fritas (um dos moradores não come nada que tenha origem animal). Para incrementar a couve-flor, a Heika (fala-se Raica) fez um "molho" com um pouco da água da couve-flor, farinha, açúcar e uma outra coisa lá. A ideia era ser agridoce, mas conseguiu se parecer com um leite desnatado levemente adocicado.
Éééé, e você aí reclamando do seu almoço, né?
Depois do almoço, fomos fazer uma coisa que eu achei bem legal (sério, não é zueira): fomos conhecer onde a Heika trabalhou (agora ela é aposentada), uma escola de 1ª série ao 10.º anos (sei lá, os alunos mais velhos têm 16 anos). Eles estão em férias de verão e o próximo ano letivo começa em agosto. As salas são grandes e deve caber uns 20, 25 alunos. São salas específicas da disciplina. A de Biologia tem material como esqueleto, cartaz com os tipos de bichos, estrutura óssea, enfim, biologia... Todas as salas têm um lavatório perto da porta de entrada e os alunos sentam em carteiras que acomodam duas pessoas. Do lado de fora, tem porta mochilas e casacos e fica tudo por lá, sem ficar espalhado nos corredores da sala de aula. Eles costumam colocar desenhos e coisas das matérias nas paredes do corredor e não tem nenhuma pichação. Ao final da aula, os alunos recolhem o lixo da sala e colocam as cadeiras em cima das carteiras (como nos bares, é cedo que se começa, hehe).
Na parede da escada, tem quadros com a foto das turmas que se formaram junto com a professora da turma. Uma graça. Os alunos têm aulas de artes, carpintaria (tem máquinas próprias) e noções de economia e direito, além de todas outras disciplinas. É realmente muito interessante ver que as coisas são muito parecidas com as do Brasil. E dá para notar que não é o dinheiro ou o investimento que faz a diferença na escola, mas a quantidade (e qualidade) de alunos que cada sala tem e a motivação das pessoas que trabalham nela.
Voltamos para a casa e fomos jantar. A parte bizarra está aí. A Michele se ausentou um pouco e ficamos eu e a Heika numa sala, tentando conversar. A gente não podia "atrapalhar" a outra conversa que estava rolando, sabe? Então ficamos lá, num jogo de mímica e de desenho, e ela falando alemão e eu balançando a cabeça como se entendesse alguma coisa. Até que ela resolveu me mostrar as fotos da última viagem dela para São Petersburgo, na Rússia, e do cruzeiro pela Escandinávia. Aí foi legal, pelo menos tinha imagens para ver. Ficamos vendo até o final e depois ela foi amparar uma das partes da outra conversa. Aí eu resolvi falar português com alguém e liguei pra casa, no Skype. Minha mãe atendeu e a Heika voltou. Ela viu e perguntou se era a minha mãe. Falei que sim e ela já foi pra frente do computador dar "oi" e desandar a falar alemão. Haha, muito simpática, mas ninguém se entendia por ali. Aí rolou um boa noite em português, que eu ensinei rapidinho, e ela foi dormir. Eu também.

* Itariri é a primeira cidade do Vale do Ribeira onde meu avô tem um sítio. Ela é mundialmente conhecida pela maior concentração de banana, japonês e cachorro por metro quadrado que se tem notícia até hoje. Há dois anos, ficou famosa porque encontraram pedras preciosas em alguns terrenos e começou a ter muita invasão e roubo. Este ano, teve o caixa eletrônico roubado numa ação audaciosa dos bandidos que "só" entraram com um carro no hall da Prefeitura. Teve até perseguição policial.
Teischen ainda não teve tanta urbanização assim. Está mais para Ana Dias do que para Itariri...

comunismo e capitalismo em Leipzig

28.06.10 - "Que calouuur!", como disse a Frances (o nome dela é com "e" e não "i"). Leipzig está quente e tem um clima bastante seco. Também não se pode dizer que é uma suuuuupercidade legal para se conhecer e fazer city tour e tudo mais. Assim, a programação do dia foi bem lenta, com café da manhã até perto de meio dia e saída para ver uma ou outra atração e percorrer algumas lojas - me controlei, juro!
Interessante em Leipzig é que foi a cidade que começou o movimento pelo fim do regime comunista e pela liberdade. Uma igreja do Centro foi o ponto de encontro das pessoas que, no boca a boca, juntaram milhares e organizaram manifestações grandes o suficiente para abalar o regime. A polícia ia contê-los, mas, ao mesmo tempo, não tinha muito o que fazer por dois motivos: eram pessoas que manifestavam pacificamente, apenas se reunindo nessa igreja, e porque os policiais reconhecima na multidão seus familiares e amigos. Não conseguiam "abrir fogo". A cidade também está em fase de restauração porque muita coisa se deteriorou durante os anos de comunismo e nunca teve reparos. Lição do passeio: comunismo é uma merda.
A parte capitalista do passeio foi visitar trocentas lojas de artigos para casa. A Frances tem vários potes, vasos, velas e nos atiçou. Entramos em umas quatro. Gostei de algumas coisas, como o conjunto de 24 borboletas metalizadas de pendurar na parede aleatoriamente. Lindo, mas não tenho onde colocar. No meu quarto vai ficar over.
Esta loja parece uma "Imaginarium" sem aquela vontade de ser engraçadinha/moderninha o tempo todo. Uma coisa que eu achei muito legal e gostaria de dar para a Claudia (porque eu achei a cara dela) foi uma casinha de passarinho, com um passarinho que, na base é um chaveiro e no rabo é um apito. A casinha serve de porta chaveiro. Mas, amiga, estava muito fora das minhas possibilidades. Para matar a curiosidade, eles têm site bem aqui.
Depois, fomos buscar a Havanna no kindergarten, uma espécie de escolinha pra cachorro. Havanna vai para lá quase todos os dias fica das 9h às 18h. A Frances entrega uma porção de comida da Havanna e ela passa o dia fazendo atividades que gastam muita energia. Cada dia custa 12 euros e, se o cachorro for todos os dias, sai por 10 euros. Ao meio-dia, eles têm a hora do descanso e todos os cachorros vão dormir. A escola recebe, em média, 30 cachorros por dia. Coisa de gênio.
Voltamos para casa para deixar a Havanna e saímos para comprar o jantar: um hot dog (de tofu) que disseram ser muito bom. Ele não era ruim, mas o atendimento deixou tudo bem pior. O cara estava num bad hair day daqueles. Na volta, a Michele quis comprar Malzbier. Me ofereceu, mas eu não entendia o que ela falava (nós conversamos em inglês para a Frances entender) porque ela falava malzbier com sotaque alemão (ou do jeito certo, vá lá). Quando eu entendi, eu respondi "ahhh, mousebier, não, não quero, obrigada". A Frances caiu na gargalhada "mousebeer? mouse beer??? Kkkkkkkk, a cerveja do rato". Eu casquei de rir junto porque nunca tinha passado pela minha cabeça que quando a gente coloca um "e" no MalzEbier, ele ficava com som de "mousebier", hahahahahaha, muito bom!!
Assistimos ao jogo do Brasil em casa e depois foi a vez da propaganda de um pudim da Dr Oetker. E eu "olha, doutor ótiquer!". E a Frances "como? é doctor Óutkerrrrr". Pronto, bastou pra gente ficar rindo do mousebier e do doutor ótiquer.
Uma pena a gente ir embora. A Frances é muito gente boa. Aliás, as pessoas que encontramos foram todas muito legais, exceto o alemão de Munique. Mas, contudo, todavia, entretanto, temos que continuar andando e viajando e a gente espera rever todo mundo um dia, no Brasil, quem sabe... Amanhã estamos de partida para Teishen, perto de Weimar, lá onde Judas perdeu as botas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Senhores,

Tem fotos novas no Picasa.

Vejam lá.

piquenique no lago - Leipzig

27.06.10 - O fato de ter desligado totalmente na noite de sábado para domingo foi muito por estar bem cansada. Mas a hospitalidade de Francis e do Thomas ajudou muito. Eles cederam a cama dele para nós dormirmos e era tudo tão fofinho e gostoso...
Depois de acordar e perceber onde eu estava e tudo mais, nos arrumamos para um piquenique de café da manhã no lago em Leipzig. Engraçado que piquenique na Europa é coisa fina. No Brasil, é farofada, hahahaha! Mas foi tudo muito elegante, tinha muito comida e  muitas coisas gostosas. O ambiente do lago era muito bonito e nós escolhemos um lugar perto de uma árvore para termos sombra porque o sol que estava fazendo prometia ser bem quente - como realmente foi.
Nesse lago, é comum as pessoas levarem seus cachorros e colocá-los para nadar. O cachorro perto da gente fez isso a manhã inteira. A dona jogava uma bola e ele ia lá feliz da vida buscar e entregar para ela jogar de novo. A Francis e o Thomas têm a Havana, da raça magyar vizsla. Obviamente que ela foi para o piquenique conosco e fez muitas amizades. Ela também acabou aprendendo a nadar, mas o negócio dela era buscar pedaços de pão no lago - parece um cão que eu conheço, movido a comida.
Ficamos lá tomando sol, beliscando uns morangos superfrescos que a Francis cultiva em casa, comendo cerejas, brincando com os cachorros. O cão nadador foi embora e chegou o Whisky, um beagle muito lindo e interesseiro, haha. Só veio falar comigo depois que ganhou um teco de pão.
Depois do piquenique, fomos conhecer o monumento em homenagem à vitória em Leipzig contra Napoleão. Para visitá-lo, é preciso subir muitas escadas. Muitas mesmo. Sabe aquela academia que eu não tenho feito? Então, fez muita falta nessa hora. A vista  lá de cima é muito bonita, a cidade não tem muitos prédios altos e tem muita área verde. Ao lado do monumento, fica o campo de batalha. Por dentro, tem a história da construção, que é de 1813. Como bem disse a Michele, somos pivetes perto dos outros. O Brasil começou a ter alguma coisa civilizada depois que a Família Real Portuguesa chegou, em 1808!
O calor está absurdamente forte e a andaça pelas escadas acabou com o restante da energia. Viemos para casa para assistir ao jogo da Alemanha e depois saímos para jantar num restaurante vegetariano em que já tínhamos reserva. Eu não gostei do que pedi, mas a comida era boa. Acabou o domingo.

domingo, 27 de junho de 2010

tchau, Zagreb

25.06.10 - Dias de partida são dias looongos. O trem para Munique-Leipzig parte à noite e o check-out do hostel é às 10 da manhã, ou seja, quase 12 horas para serem preenchidas em Zagreb, que já deu o que tinha que dar faz umas 24 horas. Outro problema é que a viagem dura quase dez horas e isso signfica muitas horas sem banho. Então, diante de todas essas adversidades, preferimos ter um dia light, bem light. Para a nossa sorte, tínhamos o jogo do Brasil para ajudar a passar as horas, mas chegou um momento em que eu estava muito, muito entediada.
Deixamos as malas no locker do hostel e saímos atrás de café da manhã. Para piorar, vários lugares estavam fechados devido ao feriado, inclusive uma espécie de padaria onde tomamos café nos outros dias.
Enfim, paramos no primeiro lugar que encontramos e resolvemos o problema da primeira refeição do dia com um gordurento salgado a base de massa de croissant e queijo - eu não vou poder ver croissant ou qualquer coisa parecida por um bom tempo quando voltar. Depois, lembramos que ainda tínhamos o Zagreb card e andamos de graça no bonde funicular, que equivale a subir 30 degraus. Depois eu não entendo por que engordo!
Revimos alguns pontos históricos do segundo walking tour que faltavam e desistimos de andar debaixo do sol e do calor. Paramos para "almoçar" - o que levou muito mais minutos que o normal - e depois pegamos um traim para irmos dar uma volta e gastar mais tempo. Chegamos ao shopping da cidade, que estava aberto com todas as lojas fechadas. Apenas um café bar aberto com dois garçons entediados. Mas valeu o sofá e a internet de graça, além de ter passado maaais tempo. Perto da hora do jogo, voltamos para o Centro. Assistimos  ao jogo e paramos para a Michele jantar. Eu não tinha fome nenhuma. Aí, o tempo começou a virar e dia lindo deu lugar a ventos fortes, trovões e nuvens pesadas. Fomos correndo para o hostel pegar as malas e talvez aguardar a chuva passar. Mas ela só ensaiava cair. Então, fomos para a estação esperar o trem para irmos embora.
A espera por lá também era longa, faltava mais de uma hora para o horário da partida. Eu estava cansada e entediada, mas a perspectiva de ir embora me animava.
Embarcamos e começamos a procurar nossa cabine. Nossas malas grandes evitavam que alguém quisesse sentar com a gente. Só que os lugares no vagão foram ficando escassos até que apareceu um senhor com um cachorro, que não falava inglês, nem alemão, só croata, querendo colocar a minha mala no bagageiro de cima. Por sinais, eu falei pra ele colocar, mas quando fosse embora, que pegasse de novo. Ele entendeu e concordou e sentou lá com a gente. O cachorro não era de todo ruim, mas chorava um pouco e não parava quieto. Para animar, duas meninas croatas que nos pediram informação na estação foram sentar lá na cabine com a gente, a Milena e a Vida. Elas estavam fazendo a primeira grande aventura da vida delas, indo pegar balada na Eslovênia, em Ljubljana. Elas eram bem doidinhas, mas muito simpáticas e se animaram toda com a possibilidade de conhecer o Brasil. Contaram como foi a vida delas com a guerra e o pai de uma delas morreu em combate. Foi meio chocante ouvir que às vezes a sirene soava e eles todos iam para os abrigos e que era uma coisa comum. Enfim, elas falavam muito, estavam a mil por hora e eu tava a fim mesmo era de dormir. Não sei o que acontece, mas chega perto das 11h, meia noite, eu simplesmente apago. E no trem não foi diferente, mesmo com a luz acesa e meninas falando e falando.
Um dos momentos bizarros da viagem, além do cara com o cachorro e dessas duas, foi a inspeção da polícia croata. A policial pediu os passaportes. Depois, ficou olhando as fotos, olhando para a gente um tempão. Pediu outro tipo de documento, como RG ou as carteiras de motoristas. A minha estava bem fácil por causa do carro alugado. Aí ela perguntou o nome da mãe da Michele. Para mim, pediu algum cartão de crédito com o meu nome. Para a Michele, pediu para escrever a assinatura na hora. Depois ela encanou no fato de não termos carimbo de entrada no país e perguntou por quê. Sei lá eu, dona encrenca! Sua colega não quis carimbar e eu que pago o pato? Bom, depois de muito desconfiar, ela carimbou os passaportes e foi encher o saco de outros coitados.
Na passagem pela Eslovênia, o policial foi um pouco mais simpático e não desconfiou de nada. Na Áustria, o policial quis saber o que carregávamos nas malas. Um pinguim! Haha, brincadeira, falamos que eram nossas coisas.
Bom, somando aos policiais, tínhamos os carinhas que vêm conferir o ticket. Umas quatro vezes o ticket da viagem foi verificado e carimbado. Dormir não coisa fácil.
O trem já era bastante lento e, para piorar, ele parou numa estação e ficou por quase uma hora lá. A viagem começou a ficar incrivelemente atrasada. A previsão de chegar às 6h em Munique foi reajustada para 8h30. Ainda tínhamos que pegar o trem de Munique para Leipzig.
O trem na Alemana é bem mais rápido, íamos a 150km/h. Mesmo assim, levamos quatro horas para chegar em Leipzig. Eu estava quebrada. A Francis, amiga da Michele, nos aguardava na estação de trem e nos levou de carro para casa. Ah! como é bom voltar à Alemanha. Depois de almoçar, fomos a uma loja que é a inspiração da Tok Stok, a Ikea. É igual. Dá vontade de comprar muitas coisas, depois da minha experiência em kuna, resolvi ficar só com uma luminária muito bonitinha para colocar no meu quarto.
Voltamos para casa para um churrasco vegetariano. E foi de tirar o chapéu. O Tomas, namorado da Francis, fez uma salada de batata com pepino em conserva e rabanete que ficou sensacional. Aqui parece que é fácil ser vegetariano, eles têm muitos molhos e patês que são deliciosos. Tinha, também, queijo temperado e linguiças e hamburguer de soja.
Depois de jantar e banho, fui para os braços do Morfeu e acordei que eu nem sabia onde estava.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Turistando em Zagreb

24.06.10 - Zagreb - Se ontem foi dia de resolver pequenos problemas, hoje tiramos o dia para ser bem turistas mesmo e fazer o walking tour por conta própria, só tendo um mapa em italiano como guia. É um roteiro de 15 pontos turísticos que circundam o Centro (ou Centar) e contam um pouco da história da Croácia. Coisas como a Biblioteca Nacional, a Universidade, um monte de prédios bonitos, estátuas aos mártires e muitos jardins com flores e lavandas!
Uma das paradas mais interessantes foi no Jardim Botânico. Ele me lembrou o Orquidário de Santos, mas é um pouco menor. A entrada é de graça e todas as plantas têm placas identicando a espécie. Pausa para uma reflexão: vendo tantas espécies e as explicações sobre as plantas, comentei que não tem nada mais completo em relação a aprender coisas do que viajar. Ontem, estivemos na exposição dos corpos e vimos e revimos um monte de conhecimentos da época do colégio. Hoje, vemos a parte de botânica. Incluímos história quando passamos por uma cidade que é de 305 d.C!! e ficamos sabendo que o povo croata já existe há muito tempo e fazia parte da Iugoslávia junto com outros povos, como os eslovenos, sérvios e macedônios e, com o fim da União Soviética, os povos quiseram sua independência. Por isso, os lugares têm muita história, mas o país Croácia tem só 20 anos de existência. E temos que nos virar em diversos idiomas: inglês, aprendemos croata (hvala, doberdan, pekarna), italiano - por causa do mapa - e a Michele treina alemão (porque eu não saí do "hautbahnhof"). Ah, ainda temos a parte da física, quando descobrimos de fato que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço e, portanto, não adianta socar tudo na mala porque não vai caber de jeito nenhum, e química, quando tomamos uns vinhos e vemos as reações no organismo. Demais, né?
As flores do jardim botânico são lindas. Dá vontade de levar tudo para a casa, mas preferi só tirar foto. O passeio continuou pelos pontos turísticos durou um pouco mais de uma hora. Como duas pessoas saudáveis, fomos almoçar no vegetariano de novo. Que maravilha! Pena que amanhã não vai ser possível. É feriado na sexta na Croácia de novo e muitas coisas não abrem, inclusive o restaurante. Depois no Brasil é que é várzea com feriado, né?
Encerramos o dia nos despedindo do inhoque com espinafre e molho de trufa e muito vinho.
Sexta é dia de partir para a Alemanha de novo. Desta vez, Leipzig.

moeda dos infernos

24.06.10 - Zagreb - A moeda corrente na Croácia é a kuna e um euro vale sete kunas. Essa moeda é dos infernos porque com ela as coisas parecem baratas. Os preços sempre estão na casa das dezenas e um conversão básica sempre faz ver que um produto ou serviço é "barato" porque custa em torno de dez, doze euros, se for considerar que o preço da etiqueta é 90kn, por exemplo. Aí, nessa pequena conversão tosca, a coisa parece barata, mas se fosse em euro mesmo, eu pensaria umas quatro vezes antes de gastar. As notas são de cem, 200 e eu já vi uma de mil, mas essa eu não cheguei a sacar. Outro problema: o cartão VTM não funcionou bem aqui na Croácia, só nas máquinas de saque, que custam 2,50 euros cada um, independentemente do valor da retirada.
Com a ideia de valor na casa das dezenas por causa do real e do euro, trabalhar com kuna foi bem difícil. Não considerei ter sempre a calculadora nas mãos (alôô, tô de férias!). Outra coisa é achar que as coisas são um pouco mais em conta do que na União Europeia. Sim, são, mas é preciso usar com parcimônia, coisa que não tive. Em outras palavras, ainda tenho três cidades para conhecer e as minhas previsões de grana foram para as cucuias (ou kukunas, desculpe a piada sem graça). Contar com o cartão de crédito não é uma saída inteligente porque vai custar bem mais quando eu não estiver na Europa.
Assim, a carruagem virou a abóbora, a Cinderala virou Gata Borralheira e vai ter que vender o sapatinho porque não usou a cabeça e se iludiu com as kunas.
Ainda bem que Croácia é só até amanhã. Não vejo a hora de pensar em euros novamente, nem que seja pra ter bem pouco para gastar a cada dia.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, Zagreb

23.06.10 - Primeiro dia de turistas em Zagreb, traçamos algumas coisas para fazer, já que tempo vamos ter tempo de sobra. A OBB não consegue responder se podemos ou não trocar as passagens, então o jeito é ficar e conhecer tudo bem calmamente.
O hostel não oferece café da manhã e as padarias não servem café. Haja passadas até conseguir um lugar que reúna as duas coisas. Eu encontrei uma pekarna (padaria) com umas coisas bem gostosas. Comprei e saí comendo. Depois, achei o café com leite, que não me arrisco a pedir outro que não seja o Nescafé.
Depois disso, fomos resolver um problema de espaço: comprar mais uma mala para esta pessoa que escreve. O pinguim não seria suficiente, já preferi chutar o balde e comprar uma outra mala tão grande quanto a que eu trouxe. Pelo menos agora são duas mais leves para arrastar do que uma que pesava muito. Problema de espaço resolvido, fomos atrás da solução da limpeza para as roupas. Eu até que estava tranquila com isso, lavei muitas em Split, mas a Michele tava com um sacão de roupas para lavar. Achamos umas senhorinhas que parecem bem aptas para o serviço. A última parte dos problemas era devolver o carro. Como o local parecia um pouco distante no mapa, preferimos fazer isso com um certo tempo sobrando. Foi mais ou menos fácil. Mas deu certo.
À pé, fomos para o restaurante vegetariano que o guia do Cartão Zagreb indicava que tinha desconto - e que esquecemos de pedir. Ahhhhhh! Era como estar em casa! Suco de laranja natural, salada, coisas bem gostosas. Fiquei muito feliz de ter tido uma refeição um pouco mais natureba e saudável.
A primeira atividade cultural da cidade aconteceu mesmo no meio da tarde. Fomos ver aquela exposição dos corpos humanos, sabe qual é? Eu não tinha visto no Brasil quando teve. É impressionante. Achei muito interessante e várias informações são surpreendentes, como a de que boa parte da poeira na nossa casa é causada por nós mesmos porque trocamos as células da pele todos os dias. Outra é ver o pulmão de um fumante. É preto! Juro! Muito feio. Uma parte encantadora é a dos fetos. Eles fazem uma pausa explicando que todos aqueles fetos foram obtidos por aborto de gravidez mal sucedida. Com 10 semanas, o feto é um pequeno boneco que tem tudo: mãozinha, pezinho, dedinhos, costela. Incrível! Claro que por alguns momentos a exposição é horripilante porque são corpos de verdade (principalmente quanto dava para ver pelos nas pernas, ou sobrancelha ou até os pubianos), mas se pensar que é boneco, dá para encarar.
Encerramos as exposição e fizemos um pequeno passeio pelo centro, pela parte mais alta. A programação de amanhã inclui uma espécie de walking tour por conta própria.

PS: Vou tentar subir fotos, mas a conexão é muito precária. Quando voltar para a Alemanha, no sábado, as coisas vão ficar melhores e haverá fotos novas.

a viagem até Zagreb

22.06.10 - Zadar e Zagreb - Definitivamente, Zadar não chegou aos pés do que prometia. Antes tivesse ficado mais uma noite em Split, uma em Sibenik e uma breve passadinha em Zadar. O hostel não ajudou, é verdade. A sensação de ser um pulgueiro era terrível. O que nos deixou bem bravas foi o fato de o japa da recepção pedir os passaportes e ficar embaçando para devolvê-los. Fomos duas vezes tentar pegar de volta e ele não tinha feito o check-in. Depois de quase uma hora, voltamos lá e nada. Ficamos de plantão até o outro carinha mais perdido que cachorro em dia de mudança conseguir fazer os registro e devolver os passaportes. Tudo isso contou muitos pontos negativos para o hostel.
Passeamos na parte antiga da cidade, o que salvou um pouco. A cidade também tem muitos barcos e velas e um porto. Nada semelhante ao de Santos. Não existe restrição de acesso, então dá para andar na avenida e, ao lado, está o navio atracado. Uns parques e ruinas romanas também eram bem interessantes, mas, sinceramente, não queríamos mais ficar em Zadar. Até Zagreb eram mais de 300km dirigindo, não queria demorar muito.
Pegamos a estrada, desta vez pela autoban, mas não a 130km/h. As estradas ficam muito acima da planície e ventava demais. Pela rodovia, tem umas birutas e uns sinais de atenção, pedindo para reduzir a velocidade para 8okm/h por causa do vento forte. Agradeci nossas malas estarem pesadas, hehe.
Chegar a Zagreb não foi difícil. O problema era arranjar um mapa da cidade. A princípio, fomos seguindo as placas de "Centar" e beleza. Mas, ao chegar na estação central de trem - lugar em que se imagina ter um centro de informações turísticas ou um mapa ou alguém que saiba nos dar informações - vimos que não tinha nada disso. Parei o carro e vi que tinha umas placas sugerindo zona azul. Como era "rapidinho" e o carro de trás - uma mercedes - não tinha o ticket, deixei queito. A estação não tinha informações, mas o hotel devia ter. Enquanto a Michele foi lá ver tinha alguma mapa, eu voltei para o carro, preocupada com a possibilidade de dar qualquer problema com o estacionamento regulamentado.
Eis que chego perto do carro e vejo dois policiais. Pensei "tô ferrada, vou pagar multa croata!". Cheguei de mansinho, sorridente, "hello", blá, blá, blá... Perguntei pelas informações, mapas e tal e depois perguntei se tinha problema estacionar ali e tal. "Não, hoje é de graça, é feriado!". Iuhuuuu! Sabia que um derriere do tamanho do meu não era por acaso!!! Hahaha!
Bom, com as poucas informações que tínhamos, procuramos o hostel mais próximo da estação de trem, porque a mordomia do carro vai acabar no dia seguinte.  Nos instalamos no hostel que é beeeem melhor que o de Zadar, com banheiro dentro do quarto e elevador, e saímos a pé para irmos atrás de mais mapas e de um jantar também.
Ah! o jantar! Fomos a um restaurante na rua que parecia ter mais barzinhos e mais agito. Que comida boa! A Michele comeu um inhoque com espinafre e trufas de babar. Quero voltar para comer este prato. O meu estava bom, mas o dela, ai ai ai.

sobre segunda-feira (eu sei, tô atrasada!)

21.06.10 - Split, Sibenik, Zardan - As coisas são realmente surpreendentes. Imagine que acordamos em Split, no hotel maravilhoso, e estava uma baita chuva. Nossos planos de ir conhecer a Ilha de Solta tinha ido, literalmente, por água abaixo. Desanimadas, vimos que as atividades em Split também tinham se esgotado, embora a cidade fosse muito agradável. Com o check-in previsto para as 11h30, tínhamos bastante tempo para decidir o que fazer e arrematar as últimas compras (eu ainda tinha que comprar o melhor azeite do mundo, né?). Definitivamente, ficar mais uma noite naquele hotel não era viável. Custava muito caro e seria um dinheiro mal investido porque a cidade já estava toda vista.
No post de ontem, disse que o fato de sermos brasileiras tinha causado com o pessoal do hotel. Todos nos trataram muitíssimo bem. Logo no café, uma moça que não tínhamos conversado no dia anterior, nos deu "bom dia" (em português mesmo) e só confirmou se nós éramos as brasileiras. Desandou a falar que assiste a todas as novelas e até aprendeu um pouco de português. Perguntou de onde nós éramos, se assustou com a quantidade de gente que tem em São Paulo e sugeriu uns lugares para visitar perto de Split. Nos passou as indicações de ônibus, mas ainda não estávamos convencidas do que fazer.
Terminamos o café, fomos comprar o azeite e finalizar a arrumação das malas. Na recepção, estava outra moça. Ela também se empolgou com o fato de sermos brasileiras e, papo vai, papo vem, começou a perguntar nos nossos planos. Explicamos que não sabíamos o que fazer, ainda mais porque as nossas passagens para voltar para a Alemanha  - de Zagreb  para Munique e depois para Leipzig -  estão compradas com data para o dia 25, à noite. Temos todos esses dias na Croácia e estávamos sentindo que não valia a pena taaanto assim. Estamos tentando trocar, mas quando a OBB se decidir (tinha que ser empresa austríaca), já vai ser o dia de viajar.
Bom, ela veio com uma sugestão que, a princípio, me pareceu bem doida: alugar um carro e ir conhecendo as cidades que fazem a costa da Croácia até chegar em Zagreb. Cacete, eu me perco para ir de Santos para Pinheiros, em São Paulo, que dirá dirigir na Croácia!! Mas ela disse que era fácil e não sairia tão caro assim, e que ligaria na locadora de carro para levantar as informações para a gente. Por cem euros, alugamos um Aleo, da Chevrolet, um carrinho básico, mas muito ágil, com ar-condicionado, direção e quatro portas, por três dias, para ser devolvido em Zagreb, nosso destino final. Ela deixou tudo encaminhado com a mulher da locadora e quando chegamos, só apresentamos os documentos e pegamos o carro.
Por sugestão dela, marcamos alguns lugares que gostaríamos de ver. Antes, a estrada: andar na Croácia é muito fácil. Primeiro, sair da cidade também foi bem fácil. Pegamos a estrada que vai pela costa e a sensação era de estar na Rio-Santos, pela semelhança, e a autoban tem limite de 130km/h e é um tapete. Um capítulo a parte é o pedágio: passamos em um e só tínhamos que pegar um ticket. Rimos muito imaginando como seria o pagamento. Quando chegamos ao nosso destino, tivemos que apresentar o tal ticket para o carinha do pedágio que, por ali, calculou quanto deveríamos pagar. Não é demais, Ecovias e Nova Dutra?
Voltando, paramos na cidade de Trogir e tiramos umas fotos do atracadouro de barcos. Seguimos, depois, para Sibenik. Que gracinha de cidade! Certeza que é a capital da vela da Croácia. Muitos veleiros, um Centro Histórico tão bonito quanto de Split e uma curiosidade: Sibenik é uma cidade genuinamente croata. Foram os croatas que a contruíram. As outras tiveram influência romana e tudo mais. Ficamos um pouco mais de uma hora, mas deveríamos ter passado a noite ali. Infelizmente, as informações indicações nos diziam Zadar era muito mais legal e bonita e era lá que a moça do hotel tinha feito reserva no hostel para a gente. Não podíamos desperdiçar.
Mas... ledo engano. Zadar não tem metade do encanto de Split e Sibenik. Mesmo assim, já tínhamos dirigido cerca de 150km e não valia a pena voltar. Ficamos na bosta de hostel que ela nos reservou (ela não conhecia, pesquisou na internet) e já traçamos a rota para ir até Zagreb o mais rapidamente possível e sair desta espelunca.
Pena que um dia tão animal quanto este na Croácia tenha terminado nesse muquifo. Vamos ver se o rolê em Zadar durante o dia salva alguma coisa.

PS: a conexão com a internet continua precária. Quando sair do pulgueiro e encontrar uma que preste, subo fotos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Domingo em Split

... Chegamos quase 6h da manhã em Split. O primeiro contato foi de um homem velho com cara daqueles piratas de decoração que nos ofereceu acomodação. Nos assustamos com a abordagem e fomos para um café. Aqui café bar é só para bebidas mesmo. Ou seja, café da manhã só mais tarde. Ficamos meio sem saber o o que fazer. Chegamos a pensar em desistir de conhecer Split porque a vibe do lugar não parecia muito boa. A insistência das pessoas em oferecer acomodação nos deixou, também, muito preocupadas. Fomos andando e saindo do ambiente da rodoviária e encontramos a rua principal do Centro Histórico. Ah, para piorar, o centro de informação de turista estava fechado porque era domingo.
Sentamos num banco da praça principal e ficamos esperando começar o "horário comercial" para procurarmos por conta própria um lugar para ficar. O visual da praça e dos barcos e navios atracados era muito lindo. Me dei conta de que estava em frente ao mar Adriático! Uma cor azul-esverdeado, verde-azulado, sei lá, de fazer inveja ao Litoral Norte de São Paulo ou ao Nordeste. Ficar ali esperando com aquele visual não foi das piores coisas do mundo. 
As construções da cidade são em pedras brancas e, com o sol, dá a impressão de que estamos na Grécia, embora eu nunca tenha estado lá. Conforme foi ficando mais tarde, foi aumentando o movimento na praça e resolvemos partir para a procura de um lugar. Logo na primeira esquina, encontramos um hotel (hotel mesmo), que não foi barato, mas simpatizamos muito com as pessoas e com o lugar e resolvemos ficar. Depois daquela noite horrorosa viajando no ônibus pinga-pinga, merecíamos um lugar confortável.
Depois de instaladas e prontas, saímos munidas de mapa e fomos conhecer o centro histórico de Split. É lindo. As "ruas" são pequenos espaços entre um casarão e outro e, de repente, desembocam em alguma praça. É um lugar cheio de loja, mas está tudo preservado. Depois vimos que a cidade é de 305! Algumas construções são realmente dessa data. 
Split é a primeira parada no roteiro dos cruzeiros de verão da Europa e o Splendour of the Seas era o que estava atracado lá. A cidade estava cheia de turistas, muitos italianos, espanhóis e americanos. Pedimos informação para um casal e o cara era brasileiro e a mulher, americana. Eles estavam no cruzeiro comemorando dez anos de casados. Moram na Pensilvânia.
Outra coisa bem interessante que nós reparamos é a planta que decora uns vasos: oliveira. Sim, a Croácia faz o melhor azeite do mundo e por onde passamos tem um vaso ou uma oliveira plantada. Outra especialidade é a plantação de lavandas. Tem ramos plantados no jardim da praça principal e toda as barraquinha de "feirinha hippie" vendem sachês com as folhas e flores de lavanda. Uma delícia!
A chuva tomou o lugar do sol maravilhoso e, por isso, paramos para almoçar (no horário). Depois voltamos para o hotel e fomos descansar. Estávamos tão esgotadas da viagem que passear por Split cansadas era pedir para o programa ser uma porcaria. Não queríamos isso. 

Quando acordamos, o sol já tinha voltado. A cidade ficou linda de novo. Andamos mais e fomos às compras. A Croácia é uma país em que as coisas são bem baratas. Comprei sachês de lavanda, "pashminas", souvenirs, enfim, engordamos a mala mais um pouco. 
À noite, assistimos um pouco do jogo do Brasil no hotel (aliás, sermos do Brasil causou "a" sensação no hotel. Explico por que no próximo post) e fomos a 20 passos - é sério - pela vielas comer pizza. Eu aproveitei e experimentei o vinho da Croácia e achei muito bom. Não sei dizer o nome porque pedi taça. 
Para segunda-feira, estamos planejando ir conhecer a Ilha de Solta (se fala xolta), que dizem ser maravilhosa. Mas o tempo precisa ajudar.

PS: A conexão onde estou agora é muito ruim. Assim que conseguir uma melhor, subirei as fotos.

último dia em Ljubljana

19.06.10 - Ljubljana - Último dia por aqui. Tudo em ritmo lento para nos despedir. Na verdade, fomos às compras. Primeiro, as passagens para Split esta noite. Depois, comprei um lenço que tem pequenas bolinhas nas pontas. Deve ser moda por aqui, vi várias mulheres usando. Comprei uma xícara de Ljubljana, que significa algo como "amoroso". Na xícara, está escrito "Ljubljana with love", muito simpática. Já tinha comprado cartões postais antes e gostei das bolsas de pano, mas achei muito caro. E te outro problema: a mala vai ficando cada vez mais pesada. Logo, logo, o pinguim vai ter que andar nas próprias rodas, o que vai dificultar a minha vida.
Durante as compras, paramos para almoçar e depois, tentamos tomar aquele café que vem de Santos, mas estava fechado.
Terminamos de arrumar as malas, nos despedimos da Ana, que agora nos deve uma visita no Brasil, e pegamos o buso rumo a Split, Croácia. Ah, só lembrando, a Croácia não faz parte da Uniao Europeia. Lá o dinheiro é kuna, e sete kunas valem um euro.
Mesmo com toda a minha experiência em viajar de ônibus, esta não foi uma viagem confortável. Para começar, os motoristas não paravam de falar e até perto de 10h da noite não tinham apagado a luz do ônibus. Os bancos não são nada confortáveis para quase dez horas de viagem.
Perto das 11h da noite, comecei a cochilar, mas era bem difícil manter o sono e a posição para dormir. Para piorar, subiu o Didi Mocó - um passageiro igual a ele - no busão e falava alto com os motoristas sobre a Copa. Eu sei porque já estou entendendo croata, hehehe. Brincadeira. Ele falava vários países que estão jogando a Copa, logo...

domingo, 20 de junho de 2010

top five - refeições

1. macarrão com atum - Munique (valeu, Guilherme! O alemão servindo fez tooooda a diferença)
2. arroz frito com pato - no china de Viena
3. pene ao pesto - Nurembergue
4. prato mexicano na Eslovênia
5. salsichas de Nurembergue

top five - sorvetes

Até agora:

1. "Australian" - Nurembergue
2. Sorveteria de Bled
3. Sorveterias de Nurembergue
4. Sorveterias de Munique
5. Sorveterias da Eslovênia

* Sorveterias da Áustria não classificaram porque zeraram no quesito "simpatia".

sexta-feira - Bled

18.06.10 - Bled - O passeio de hoje foi até Bled, cidade turística que fica a uns 50km de Ljubljana. É lá que tem o lago. Saímos meio tarde de casa porque acordamos tarde e ficamos conversando. Uma amiga da Ana passou para pegar os bolos que as duas fizeram - Michele e Ana - para uma espécie de festa, festival, sei lá. Infelizmente eu não posso colaborar com os bolos. Ana é vegan, não come e não tem nada de origem animal em casa. Eu só conheço receita de bolo que vai ovo, leite, manteiga...
A rodoviária é do lado da estação de trem. Já tínhamos os horários dos ônibus e compramos os tickets quase na hora da saída. Só deu tempo de passar no McDonald´s e comprar uns nuggets para ir comendo na viagem. Foi o que salvou.
Chegamos a Bled umas 14h30 e também não foi difícil achar o lago. É muito bonito. Pegamos uma barquinha sem perguntar o preço. Por 12 euros, o gordinho te leva à ilha onde tem uma igreja em que acontecem vários casamentos. Aliás, igrejas. Porque tem mais de uma. Vimos um pessoal com roupas de festa indo um pouco mais longe que nós de barquinhas.
A igreja é pequena, mas muito charmosa. O conjunto todo torna a paisagem parecida com aqueles quadros bucólicos. E ainda tem patos! Muito legal. Os barqueiros dão meia hora para visitar a igreja e a ilhota. Tá mais do que bom de tempo. Cumprimos nosso tempo lá e voltamos para pegar a barca de volta. As nuvens estavam ficando escuras, depois de um belo sol que estava fazendo, e a chuva da ilha de Lost se anunciava. O barqueiro, desta vez, era bem mais simpático e, para ajudar, pegamos um grupo de italianos de Padova - eles falam o dialeto chamado Veneto. Eles falam o tempo todo. É incrível! O barqueiro perguntou de onde éramos e quando falamos  "Brasil" os italianos "oh, Brasil", "oh, Brasil" e se assanharam todos para conversar e parlar, parlar e parlar.
Mal chegamos a terra e ouvimos a comemoração primeiro gol da Eslovênia. Comemoração como se faz no Brasil, sabe? Gritos, cornetas, cantoria. Demais. Fomos atrás da torta tradicional da cidade. Eu passei porque era muito creme e chantili para mim. Pedi uma com nozes e maçã e era muito boa, mas começou a me enjoar. Precisava muito comer comida!!
Voltamos de Bled no último ônibus que ia para Ljubljana. A ideia era pegar nossas coisas e seguir, de madrugada, para Split, na Croácia. Mas não tínhamos comido e ia ficar muito corrido. Resolvemos passar mais uma noite em Ljubljana.
Para jantar, fomos a um restaurante mexicano que estava cheio de pessoas curtindo a sexta-feira e comemorando a quase vitória da Eslovênia contra os EUA. Foi interessante porque vimos vários "shots" de tequila passando. A cada rodada, mais comemoração. Engraçadão.
Para finalizar, fomos ver o jogo Inglaterra e Argélia. Não deu nada, mas eu acho que eles são contra a Inglaterra. Quando apareceu o técnico inglês depois do jogo de cabeça baixa, eles comemoraram. Acho que a Inglaterra é os EUA deles aqui.


Mais fotos em www.picasaweb.google.com/thalita

sábado, 19 de junho de 2010

Sobre quinta-feira - Ljubljana

17.06.10 - Ljubljana - Tadinhas! Imaginando que optar pelo café da manhã do ho(s)tel era uma uma boa para comer melhor e, principalmente, comer frutas, pagamos 7 euros para comer mais: croissant, geleia, manteiga, ou seja, tudo o que tem nos outros cafés. Tudo bem, valeu pelo cereal. Ficamos aguardando a nossa anfitriã, Ana, chegar para podermos fazer alguma coisa pelo resto do dia. Ela chegou e foi muito simpática e receptiva. Ela e a Michele parecem que se conhecem desde criança. Deixamos as malas na casa dela e fomos conhecer o que ainda não estava conhecido da cidade - tarefa difícil.


Primeira parada foi numa feira livre, que funciona em praça, como a de Nurembergue. Me interessei pelo meio mamão que tinha, mas o preço não valia a pena: 4 euros! Comprei duas peras por um euro e me senti um pouco em casa de novo. Frutas fazem muita falta.

Perto da feira está a subida até o castelo, que não é muito alto, mas bastante íngrime. Cheguei meio esbaforida (de novo!) lá em cima. O castelo foi uma prisão e hoje é um lugar que eles fazem eventos. É de 1500, 1600, novinho.

Depois do castelo, procuramos um lugar para almoçar. Ia chover forte também. Aliás, estamos percebendo que esta é uma tradição do clima local. Chove do nada. Parece a ilha de Lost. As meninas quiseram comer pizza de almoço e eu topei, embora não seja o tipo de refeição que me apeteça para o horário.

A pizzaria é muito simpática, parecida com aquelas moderninhas do Brasil. Ana disse que é a melhor pizza da cidade. Não comi outras, mas era boa, sim. Só que nada comparável às do Brasil. A mudança na vida da Ana em relação às pizzas fomos nós que apresentamos: colocar azeite. Ela nunca tinha experimentado. No máximo, eles colocam catchup (eca!). Ela pirou com o upgrade que deu na pizza. Colocava um monte de uma vez.

Depois fomos para um café. Para surpresa nossa, um dos tipos de café chamava "Brasilija Santos Cordovado". Claro que pedimos. E tem gosto de café como de qualquer lugar, hehe.

Andamos mais um pouco pela cidade e voltamos para casa da Ana. É muito fácil andar em Ljubljana. Só que sempre tenha um guarda-chuva por perto.
 
Subo fotos mais tarde. Já subi as fotos. Estão em www.picasaweb.google.com.br/thalita

quinta-feira, 17 de junho de 2010

sobre quarta-feira - Ljubljana

16.06.10 - Ljubljana - Dia de vazar da Áustria, de Viena e de toda essa chatice que tem por aqui. O trem partiu cedo, às 8h03, precisamente, para alívio destas duas viajantes. A Thaís foi mais feliz e partiu para Zurique, Suíca, na noite anterior para o seu 7376575994732.º festival na Europa.


Em seis horas de viagem, vimos muitas paisagens bucólicas, muitas vaquinhas, rios, cachoeiras, casinhas e todo tipo de coisas que lembram o interior de Brasil ou o vale do Ribeira. O trem ia muito lentamente. Dormi e acordei várias vezes.

Às 14h06 - adoro a precisão de horário europeia - chegamos a chuvosa Ljubljana, capital da Eslovênia, e não entendemos bulhufas do que estava escrito. Tudo bratjvalalovk ou algo do tipo. Mas a hospitalidade aqui, sem qualquer chance de comparação com a de Viena - nos ajudou e nos levou ao centro de informações turísticas. De cara já conhecemos dois brasileiros, sim! na Eslovênia!!, mas eles estavam totalmente de passagem. Por causa da chuva, resolvemos pegar um táxi. A princípio, o taxista estava um pouco mal humorado. Pudera, não entendia o que a gente falava - em inglês -, também não falava alemão. Só eslovêno (será que é assim o nome do idioma?). O hostel não ficava muito longe. Aliás, nada fica muito longe em Ljubljana. O primeiro hostel estava lotado e então fomos procurar o que a atendente nos indicou. No meio do caminho, achamos outro e resolvemos ficar nele. Com proposta de ser hostel, ele é praticamente um hotel três estrelas: banheiro no quarto, camas macias, tevê, toalhas, pelo mesmo preço de hostel. Ficamos tão felizes!

Fizemos o check-in e saímos para procurar alguma coisa para comer. Só nessa procura, conhecemos boa parte da cidade. Ela é muito pequena mesmo. Mas é muito simpática. Não tem aquele glamour das construções da Alemanha e da Áustria, mas tem ruelas e casinhas bem charmosas. Almoçamos num restaurante em que o cardápio chamava Hijo de Puta. Tava quase chamando o garçom assim, mas ele era gente boa. A chuva acalmou e andamos bastante. Amanhã vamos ter uma guia local, a Ana, eslovena, que vai nos hospedar e nos levar para conhecer melhor a cidade. O clima aqui, a simpatia das pessoas e a receptividade já mudaram para bom o astral da viagem de novo. Hvala*, Eslovênia!

PS: Mais tarde subirei fotos em www.picasaweb.google.com/thalita


*Obrigada

quarta-feira, 16 de junho de 2010

sobre terça-feira

15.06.10 - Viena - A tentativa foi feita, mas é o fim da linha para Viena no nosso passeio. Ontem já tínhamos conseguido comprar as passagens para Ljubjlana (se fala Liubiliana), na Eslovênia,  e só vamos para lá quarta-feira. Hoje "cedo", vimos passagens da Croácia de volta para a Alemanha no dia 25. Comprando com antecedência é melhor.
Na tentativa de fazer da estada em Viena um pouco mais agradável, fomos ao Museu do Freud e... outra decepção. O lugar é interessante para quem estuda psicologia ou conhece muito da vida de Freud (ok, todo museu é assim), mas este se fosse "mostra" do Freud seria melhor. Visitamos as salas, tinha o divã, que devia ser muito incômodo porque todo de madeira, e umas fotos, uns objetos pessoais, tudo bem escasso. Fomos procurar o Castelo de Belvedere. Mas a fome apertou. Paramos num asian fast-food e nos esbaldamos. Eu me esbaldei. Comi arroz frito com pato (!) (sinto cheiro de protestos) e tava muito bom. Depois do prataço, quem tinha vontade de andar? Acabamos desistindo e voltando para o hostel. A chuva começou a cair, a temperatura também e acabou qualquer empatia com a cidade.
Todos os cafés e alguns restaurantes transmitiam os jogos da Copa, mas poucas pessoas se mostram empolgadas. Uma coisa que reparamos é que quase não bebem cerveja. Vai ver que é isso.
Qualquer convite para voltar a Viena eu passo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Áustria

15.06.10 - Viena - Cheguei em Viena 6h da manhã de segunda-feira. Passei a noite viajando de trem e achei a coisa mais estranha do mundo. Primeiro que o espaço é minúsculo. Depois, a cabine estava lotada, no limite de seis pessoas. Minha sorte foi ter ficado na cama do meio, nem muito no alto, nem  muito baixo. A minha mala era grande demais para o trem e a cabine. Com as pessoas arrumando lençol e coberta, esperei todo mundo se ajeitar e depois arrumei a minha. Uma das meninas da cabine disse que mala poderia ficar no corredor. Ainda na espera, passou a inspeção da polícia. Encanaram num cara da cabine. Puxei meu passaporte, mas o policial nem quis ver.
O ponto final do trem era em Budapeste e eu, sem saber como funcionava o esquema para descer, fiquei com medo de perder o ponto e acordei de tempos em tempos. Pra piorar, a fiscal do trem bateu na porta e começou a dar uma bronca na menina que tinha dito que a minha mala podia ficar no corredor até que ela falou que não era dela. Puseram a mala pra dentro e, aí sim, a cabine ficou intrasitável. A menina deve ter me xingado muito. Bom que foi em alemão e eu não sei o que ela quis dizer. O clima hospitaleiro da Alemanha não estava no trem. Depois entendi por quê.
Na Áustria, encontrei muito facilmente o hostel que as meninas reservaram. O check-in era a partir de 7h30, mas a mulher me deixou entrar e usar a internet. Depois de uns 40 minutos, as meninas me encontraram. Depois de instaladas e prontas, fomos dar uma volta em Viena. Infelizmente segunda-feira é um dia meio complicado para lugares com visitação paga, tipo museu e castelo. É neste dia que tudo fecha. Ficamos andando por praças, igrejas e ruas.
Visitamos a Igreja do Saint Stephan, o padroeiro. A igreja é muito bonita e estava tendo missa. O problema é que vários lugares - em Nurembergue e em Munique também - estão em reforma. A temporada de verão vai começar em julho e eles devem estar aproveitando o calor de junho para fazer as reformas. Resultado: as fotos dos lugares mostram andaimes também.
Uma parte bonita era a perto da prefeitura e do parlamento, com um jardim e umas roseiras muito grandes. Mas era um jardim, né? E, meeeeu, sou de Santos, tá ligado? Jardim é lá mesmo.
Nas andanças e na procura por serviços - restaurante, sorvete, informação e lojas - percebemos o tratamento esnobe dos austríacos. As pessoas esbarram, puxam - me puxaram pela moc hila para eu sair da frente e a pessoa conseguir passar para pegar o metrô - e não pedem desculpas. Não são simpáticas e não fazem questão de ser. Da recepcionista do hostel ao cara do setor de informações, não se salvou um só. Isso tudo deu uma enorme má impressão da cidade. A falta de atrativos - ok, hoje é segunda-feira - não ajudou, mas Nurembergue também não tinha tantas coisas assim e era bem mais agradável. Estamos desapontadas. Como disse a Thais, o que esperar de um lugar em que o principal atrativo é ver ópera?
Para o segundo dia de Viena, vamos ver se conseguimos ir a lugares legais, ou pelo menos onde o guia aponta ser uma atração. Mas o filme da cidade está queimado.

PS: Os caras fantasiados são vendedores de ingressos para a ópera. São mais chatos que vendedor de cartão de loja de departamento. Mais fotos em www.picasaweb.google.com/thalita

sábado, 12 de junho de 2010

fotos!

A dica de usar o Picasa deu certo eu consegui postar muitas fotos dos passeios que fiz até agora. Então, é só ir em www.picasaweb.google.com/thalita e babar à vontade.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Comentários e fotos

Olá, queridos.

Estou adorando ler  os comentários. Me motivam a continuar escrevendo. A frequência de fazer isso é que acaba sendo complicado. Às vezes o dia é muito puxado e não dá para escrever e postar fotos. Prometo tentar.

Estou procurando outro jeito de mostrar mais fotos do que estas que vão junto com os posts, mas não estou tendo sucesso. O Flickr já chegou ao limite mensal de volume de fotos e o Facebook trava toda hora que eu tento subir algumas. Não sei se o Picasa é acessível para todos. Se alguém souber, me avise. Se souber de outros sites em que eu possa publicar as fotos - acabei de lembrar do Orkut, mas tem o problema da restrição...
Eu vou continuar tirando muitas fotos e tentar usar outros recursos. Se não der, vocês vão ter que ser pacientes e esperar eu voltar. Calma. Só falta um mês! Beijos

Sobre quinta-feira

10.06.10 - Dia de me virar sozinha em Munique. Andei vendo os preços do trem até Roma, onde eu poderia passar esses dias até segunda-feira antes de ir para a Áustria. Mas as coisas não funcionam assim por aqui: decidiu e pronto. Antecedência aqui vale dinheiro. Para ir hoje à noite, sairia 132 euros. Tudo bem que os dias em Munique compensaram Nurembergue em questão de gasto, mas não achei uma boa ideia até pelo pouco tempo que teria para conhecer Roma. De qualquer maneira, o dia de hoje ainda é em Munique e eu tenho coisas bem legais programadas para fazer hoje: Allianz Arena, Olympiapark e Museu da BMW.
Consegui encontrar os irmãos brasileiros na Hauptbahnhof e fomos, então, para o Allianz Arena, o estádio do Bayern de Munique. É simplesmente lindo e muito, muito grande. Infelizmente a visita estava fechada, pelo menos do que deu para ver. Mas só de chegar ali na frente e ver o estádio e o tamanho dele já valeu. Fizemos muitas fotos.
De lá, fomos para um parque que tem uma Torre Chinesa. Fica ao lado do English Garden, mas este não chegamos a visitar. Fica dentro do English Garden e, por isso, visitamos. EU SOU MUITO DESLIGADA!!!! As pessoas deitavam à beira do lago e tomavam sol e várias, várias (ninguém trabalha na Alemanha?) estavam no parque ao redor da torre almoçando e tomando cerveja, canecos gigantescos de cerveja. Peguei a versão de 500ml para mim e parecia que a cerveja tinha um toque de limonada. Ficou muito bom. O calor de 32 graus ajudou muita a cerveja descer suave. Fiz também minha segunda refeição que não envolveu pão nem sanduíche. Mas MEIO frango. Sim! Meio frango e muitas batatas fritas cortadas no modo grosso. Foi uma refeição bem boa se comparada as outras de sanduíche, sanduíche e sanduíche.
Saímos do parque rumo ao Museu da BMW. Que coisa maravilhosa! Sabe aquela tosqueirice do Salão do Automóvel quem as BM´s ficam isoladas em vidros ou com cercas para ninguém chegar perto? Então, aqui não tem nada disso. A gente pode entrar nos carros, tirar foto, mexer, e ninguém fala nada. Essa parte era antessala do museu. Só ali devia ter uns 20 carros e uma moto, que era a da polícia, a polizei. Fomos atrás dos ingressos para o museu vimos só a parte com o carros. Dava para visitar outras coisas, mas quisemos ver só os carros, por causa do horário.
A primeira coisa que aparece são umas bolas prateadas presas em um fio quase invisível que sobem e descem e fazem o design do carro. É muito bonito. Tem também os motores que ele fabricam de carros, inclusive de avião e avião anfíbio, e motos. Numa parte, eles colocaram uns cinco motores e fones de ouvido. Dava para ouvir o motor que estava em frente. Foi muito interessante esta parte porque é nítida a evolução das máquinas. A última era de 2002. Lembrei do meu pai e do meu tio aqui. Acho que eles gostariam muito de visitar esse museu. Quem sabe um dia, né?
Saímos do Museu e fomos para o Olympiapark, mas o sol estava castigando demais. Chegou a queimar meus ombros. A volta foi curta, mas valeu visitar o parque. Os irmãos também estavam com tempo curto que o voo deles de volta para Londres era em algumas horas. Nos despedimos e eu voltei para casa desistindo de ir para Roma. Vou ficar aqui até domingo e depois sigo para Viena.

sobre quarta-feira

09.06.10 - Eu sabia que trazer vários Engoves não era exagero da minha parte. Santo remédio. Acordei nova. Como estamos um pouco cansadas, as meninas mais ainda porque não descansavam desde o festival em Nurembergue, deixamos para acordar um pouco mais tarde na quarta-feira.  A programação de hoje é visitar o Castelo de Neuschwanstein, o mesmo que inspirou a construção do Castelo da Cinderela na Disney. Posso dizer, depois de hoje, que conheço os dois, hoho!
Bom, a primeira parada do dia é no Coffee Fellows, onde a gente toma café e sai em busca de um sanduíche ou pretzel com queijo ou manteiga para comer. O carinha do quiosque não se conforma que nós estamos passando férias na Alemanha em vez de estarmos no Brasil. Só pelas reclamações que leio sobre o frio que está fazendo aí, não fizemos escolhar melhor. Dias lindos e quentes. Hoje, mais um deles, em 29 graus.
O castelo é meio longe da cidade, aliás, nem fica em Munique. Pegamos dois trens e dois ônibus para chegar lá. Só essa mão de obra toda já deixou o castelo mais sem graça. Chegamos perto de 3h da tarde lá e, para animar, o castelo não tem um acesso fácil. Ainda tinha um morro para subir. E três opções: de charrete, de ônibus ou a pé. Adivinha qual escolhemos? A pé, claro! Gostamos de sofrer, hehe. Chegamos esbaforidas na entrada. Muitos, muitos turistas e de vários lugares: chineses (mau educados), japoneses, espanhóis, italianos, ingleses, brasileiros. Sim! além de nós, dois irmãos de São Paulo estavam lá: a Thaís e o Rafael. Ela mora em Londres e ele em São Paulo. Trocamos ideia e eles querem fazer o mesmo programa que eu amanhã: museu da BMW e Olympiapark. Trocamos telefones e skype e combinamos de ir juntos, já que as meninas vão amanhã cedo para a Áustria.
A visita ao castelo acontece por grupos divididos em horários com diferença de 5 minutos. Não entendi a lógica, já que chega na entrada e eles juntam todo mundo. E essa foi a parte chata da coisa. Muitas pessoas querendo ver o quarto do rei, a pia do rei, e simplesmente não tinha espaço. A parte "visitável" do castelo também é bem pequena. Em meia hora já estava tudo visto.
Esse rei Ludwig II era meio pirado. O sonho dele era morar num castelo com toques medievais e a tecnologia da época. Aí, o resultado é meio coisa de novo rico, sabe? Tem dinheiro para comprar as melhores coisas e não consegue se definir por um estilo, então mistura todos. Calma, eu só consigui falar isso porque o áudio em português explicou que muitas coisas não correspondiam à época dele. Mas é interessante ver a megalomania de uma pessoa que foi interdidata aos 40 anos como louco. Saiu do castelo e morreu no dia seguinte. Deve ter sido de desgosto. Uma parte que eu gostei, além da vista, claro, foi da cozinha do castelo, com as peças da época. Muito interessante. O fogão é do tamanho de uma mesa de jantar para oito pessoas. Ainda tinha uma espécie de grill e um forno. Numa sala a parte, ficava a área para lavar a louça. Tudo muito grande.
Os souvenirs eram uma graça, mas muito caros. Só comprei um cartão postal para mostrar a cara do rei, a cama dele - que é menor que a minha - e o castelo por fora.
A parte da volta para Munique é que foi meio complicada. Pelos informativos de horários, nosso trem sairia bem tarde, 22h19. Então descemos do primeiro trem "achando" que íamos esperar uma hora e vinte. Deu 15 minutos chegou outro trem e todo mundo que desceu com a gente embarcou nele. Claro, ele ia para Munique. Estávamos na plataforma errada e perdemos o trem. Acabamos pegando o das 22h19. Chegamos quase meia noite na casa do Guilherme e elas, doidas, cataram as coisas e foram para Hauptbahnhof pegar um trem para Áustria. Eu ainda não sei o que vou fazer.

sobre terça-feira

08.06.10 - Eu sei, eu sei. Não atualizei mais, né? Os dias têm sido uma correria louca aqui. Vou precisar de férias das férias ser continuar neste ritmo.
A última informação que passei é de que eu estava chegando em Munique, certo? Na terça, fomos fazer o programa mais pesado de toda a viagem: visita ao Campo de Concentração de Dachau. O lugar é lindo, o ambiente, péssimo, sacaram? A quantidade de absurdos e crueldade que aconteceu lá é inimaginável até pisar nas celas, nas celas especiais, ver o "paredão" e as marcas de bala que insistem em aparecer mesmo depois de várias camadas de cimento. Sem dúvida, a pior parte é a do crematório. Disfaçado de ambiente tranquilo, como se fosse um retiro, o crematório coloca o terror frente a frente com quem o visita. Começa com uma sala de desinfecção, com canos no teto para jogar  água. A sala seguinte era a de "espera", onde, nas palavras da placa "as vítimas ficavam sabendo que iam tomar banho". A sala seguinte era onde eles se despiam e a próxima, o "chuveiro", ou seja, a própria câmara de gás. Um guia de outro grupo explicou que eles levavam até 20 minutos para morrer dentro da câmara. A sala depois do câmara era onde eles eram depilados, cabelo raspado e dentes de outro arrancados. A sala seguinte era a do cremátório, com fornos em que até quatro corpos eram colocados para virar cinzas. Muito, muito triste.
Os tipos de morte eram vários também. A exposição que fica no salão em frente as celas conta sobre os experimentos de medicina, como a ingestão de água do mar, para saber a capacidade de resistência no caso de ficar perdido no mar ou algo assim; a injeção de ar no cérebro, para testar a resistência em grandes altitudes e as de cirurgia mesmo, que muitas vezes deixavam pessoas sadias inválidas. Isso sem contar na infecção proposital por malária e tifo.
Anos depois, como o campo virou um memorial, foram instaladas três áreas religiosas: uma cristã, uma judaica e um convento carmelita, me parece, ao lado do campo. Tem também um com a inscrição em vários idiomas "never again".
Último detalhe é o das árvores imensas que foram um corredor onde eram os "pavilhões" onde os presos dormiam. Não conheço a espécie, mas, com o vento que batia no campo, elas soltavam uma semente que parecia pluma branca. Olhando o corredor ao longe, dava para ver várias voando, inclusive no rosto, mas era um voo tranquilo. Aquilo foi muito significante para mim, afinal, só naquele campo morreram 63 mil pessoas.
Para o resto do dia, fomos fazer coisas mais leves.



















Na Marienplatz, tem um grupo de "free walking tour" que leva os turistas de graça para um tour a pé pelo centro de Munique. Chegamos exatamente na hora e seguimos com o grupo. A primeira explicação é sobre o nome da cidade. Tem a ver com os monges e com o desenvolvimento que aconteceu ao redor do monastério. Como monge em alemão é algo como "munch", a cidade ganhou o nome de "München", ou Munique. A cidade foi muito importante para o III Reich e uma das primeiras investidas contra o povo judeu foi na Noite dos Cristais, que aconteceu em Munique, tendo, inclusive, a ordem do ataque partido de uma das salas localizadas no Centro da cidade. A andança nos leva a igrejas, sendo que uma, diz a lenda, foi concluída pelo diabo. Ela não tem janelas. E tem um pé marcado na pedra logo na entrada que, dizem, é do capeta. Tem uma imagem do Papa Bento XVI em forma de placa em alto relevo. O guia comentou a cerveja que o papa bebe. Claro que depois fomos experimentar.
Outra coisa bem interessante é que Munique tem Oktoberfest. A cidade, que tem 1300 milhões de habitantes, chega a receber 6 milhões no total e, reparem, de bêbados! Porque todo mundo vem para chapar o côco mesmo. A festa começou quando um rei, há 200 anos, foi pedir sua mulher em casamento e falou queria dar uma grande festa no dia da cerimônia. Convidou tanta gente, mas tanta gente, que abriu as atividades do Oktoberfest. Este ano, parece que a festa vai ser ainda mais caprichada porque vai ser a 200ª edição.
O passeio acabou na praça, às 6h, mas ainda tínhamos mais coisas a fazer. Todos os dias, também, sai da Hauptbahnhof um grupo de walking tour, só que de cerveja! Claro que fizemos. Só que este tem que pagar 14 euros para fazer parte do grupo e ganhar umas cervejas de meio litro e uma dose de Jägermeister, acho que tipo um Steinhaeger. É um walking tour muito divertido. O problema é que não pode passar mal. Se vomitar na rua, tem que pagar 50 euros. Tremi de medo. Mesmo assim, fomos a várias cervejarias, experimentamos diversos tipos de cerveja e foi todo mundo dormir beeeeemz legauzz.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

sobre segunda-feira

07.06.10 - Ah! Último dia de Nurembergue! Não que eu esteja reclamando, mas esta é a típica cidade que se conhece em dois dias, NO MÁXIMO. Estourando mesmo. Imagina eu, então, que estive por quatro dias. Ah, não dava para conhecer nenhuma cidade por perto? Até dava, mas tínhamos os planos de nos encontrar, o que diminuia o tempo para fazer visitas mais longe. E também eu sou marinheira de primeira viagem, né? Tem que dar um desconto. Enfim, foi como deu pra ser e, se não for muito em breve, posso pensar em voltar a Nurembergue. Cidade agradável, povo educado. Um bom lugar para descansar e se divertir. Mas deu.
Fiz o meu check-out do hostel e pedi para guardar a minha mala enquanto dava um útimo rolê em Nurembergue - pra memorizar bem, né?hehe -  Fui me encontrar com as meninas na Hauptbahnhof para me despedir da Rosie, que hoje voltou cedo para Munique para trabalhar. Ah! Como é bom estar de férias!!
As meninas foram fazer o city tour delas e em duas horas já tinham visto todas as 58737 igrejas e as 664759 fontes. As lojas também já estavam bem exploradas. Minha última extravagância foi a mala de pinguim. A foto está na câmera da Michele. É uma mala pequena de viagem que tem formato de um simpático pinguim. Eu PRECISAVA dessa mala. Ela é muito fofa e agora se juntou a mais aquele monte de tralha que eu tenho que carregar comigo.
Voltei ao  hostel, dei um jeito de colocar o pinguim dentro da mala -desafiando as leis das física - fui encontrar as meninas para irmos para Munique. Pegamos o trem do tipo "pinga-pinga" e viajamos, confortavelmente, até Munique, em umas 2h30.
Chegamos perto de 8h30 e fomos para casa do nosso anfitrião, o Guilherme, um brasileiro amigo da Michele. Pelo menos hoje não vou gastar para me hospedar. Amanhã, a programação é ir ao Campo de Concentração de Dachau (se fala Darráu).
Deve ser um dia meio pesado. Mas depois vamos dar uma voltar para conhecer a cidade. Já descobri como fazer para chegar ao Museu da BMW e já fiquei sabendo que aqui também tem o museu de tecnologia, talvez o maior da Europa.

sobre domingo

Nuremberger, 06.06.10 - Que calor nesta cidade! É um calor seco. Toda hora paro em algum banheiro, ou pego a água da garrafa, jogo na mão e tento umidecer as narinas. A sorte é que a poluição aqui deve ser quase zero: tem muitas árvores e poucos carros circulando. Ônibus passam, mas bem poucos. Há muitas bicicletas. Queria ter alugado uma para dar rolê, não nem procurei onde fazia isso.
O dia começou meio preguiçoso. É domingo. Toda a agitação dos outros dias deu lugar a ruas quase desertas, poquíssimos estabelecimentos comerciais abertos: só bares, sorveterias - que estão lucrando horrores pela quantidade de gente tomando sorverte - e restaurantes. Outros comércios ficaram fechados. Parecia daqueles domingos de antigamente, muito antigamente, que não se tinha nada para fazer porque as lojas estavam todas fechadas. A vantagem de ser turista é esta: eu fui ao museu da história alemã, uma coisa assim. A Michele me falou que este é o estado - Bavária - mais católico que tem na Alemanha. Tá explicado o motivo de ter tanta igreja aqui em Nurembergue. E agora eu entendi de onde vem o Bayer de Munique. O museu também tinha muita coisa religiosa. Vários quadros com figuras do Nascimento e da Crucificação de Cristo, do Calvário, mas também tinha muitas peças do dia a dia das pessoas há uns 500 anos, facilmente. Gostei de uma parte que reuniu os diversos tipos de berços e das roupas, embora fosse bem fraca esta parte. Tinha arte barroca, instrumentos de farmácia, de fazer moeda, de astrologia. Muito legal. Pena que não pude tirar foto de anda. O lugar do museu foi um monastério e tome paredes com a grossura de um metro. Andei por duas horas e meia dentro do museu. Saí cansada.
As meninas ficaram pouco tempo comigo antes de eu entrar no museu. Nas andanças, fomos parar na "red zone", a famosa área dos puteiros. Tem alertas de que naquela região não pode tirar fotos e que crianças não podem ir lá. No horário que nós fomos, estava tudo respeitável, mas uns carinhas ficaram medindo a gente, como se fôssemos as funcionárias do mês.
Falar nisso, hoje um senhor veio falar comigo também enquanto eu andava de volta para o hostel. Começou a falar em alemão e eu falei que não entendia e aí ele perguntou de onde eu era: falei que era brasileira e ele começou a falar um monte de cidades de Santa Catarina: Friburgo, Blumenau, blá blá blá. Conhecia bem. Aí me chamou para tomar um café. Dispensei. Muito amigão pro meu gosto. E tudo bem.
Como passei muitas horas sem comer e poucos lugares estavam abertos, recorri ao McDonald´s para almoçar. Acho que não fiz uma boa escolha. Depois fiquei com uma espécie de cólica. Dei um tempo no hostel- até cochilei - e depois fui ver a tal festa aqui do lado, que já tem três dias que rola e eu não ainda não tinha descoberto como chegava lá. Parecia ser muito legal. Mas, para ser mais legal, tinha que comer, porque tinha várias barraquinhas (parecia ao como a Cidade Junina, mas sem as bandeiras e sem a música junina). Como comer estava fora de cogitação, só dei um rolêzinho para ver o tamanho da festa e encerrei as atividades.

Ah! Esqueci de comentar que na praça em frente a Lorenzkirche teve uma manifestação de muçulmanos que eu não consegui reconhecer pela bandeira de país era. Só tirei uma foto rapidinho e vazei.

domingo, 6 de junho de 2010

Sobre sábado

05.06.10 - Dia de levantar acampamento do hotel. O valor da diária está me deixando preocupada. O serviço é bom, o quarto e a localização também, mas ficar imaginando que eu posso ficar meio comprometida porque tive um "capricho" não vira. Ontem, nas andanças, achei o hostel, um dos indicados pela Michele (que continua no acampamento). É perto do hotel, mas tem uma ladeirinha que vai me dar trabalho na hora de trazer a mala. Fiz tudo o que tinha pra fazer e fiz o check-out no horário. Aí vim ladeira a cima. Uma senhora de cabelos todo branquinho e uma espécie de andador/ carrinho veio falar comigo em alemão. Eu falei pra ela que não entendia o que ela dizia e ela me disse que o inglês dela não era lá essas coisas. Falei que empatou então. Ela insistia em falar e apontar para a mala e para ladeira, e eu, achando muito estranho, perguntei se ela queria me ajudar (?!). Ela balançou a cabeça e começou a fazer muque com os bracinhos e começou a rir. Eu balancei a cabeça concordando e demos muita risada. E é assim, ao parece, que os alemães se relacionam com as pessoas. Nada de frieza e grosseiria.

Fiz o check-in no hostel e fui encontrar as meninas. O dia foi de indefinições. Michele ia resolver pendengas do passado e as meninas voltaram para o acampamento mais cedo por causa de algum show. Dá-lhe dar rolê de novo, mas foi bom. Pelo menos eu agora tenho uma noção melhor dos lugares e do próprio mapa. Tentei ir ao Museu de História Natural, mas parece que hoje é o único dia que está fechado. Fui em algumas lojas também. Tem uma C&A que não é muito diferente das do Brasil. As lojas que vendem perfumes deixam tudo exposto e com desmonstradores. Vi várias pessoas se perfumando. Ninguém implica que eu estou de mochila. Cachorros entrem em hotel (tinha um no que eu estava hospedada), em lojas. Não tem proibição de nada.

Descobri o esquema da água também. A maioria das águas engarradas é com gás. Na rua perto da loja do telefone celular, tem um bebedouro. Ah, imagina se eu não ia ficar enchendo as minhas garrafas lá, de graças, já que estava um calor de 30 graus? Malandrona, né? Só que com á água vem a vontade de fazer xixi e aí foi-se embora 1,50 euro em banheiro. Fazer o que, né?

No almoço, experimentei as salsichas de Nurembergue, as que o livro "Guia do Viajante Independente na Europa" falou que eram típicas e gostosas. E são mesmo. Mas não são de porco? Sim, são. E você comeu? Sim, comi. Eram tão leves que pareciam de frango. Não senti nada de pesado ou congestionando as coisas. Bem gostoso, vale o investimento de 2,20 euros.

À noite, depois de jantar, vim para o hostel, conhecer as minhas novas instalações. Não são de todo ruim, mas esse lance de banheiro "coletivo" é meio estranho. O chuveiro é igual de academia. Bem chato. Mas o valor da diária me deixa mais sossegada.

Bom, por enquanto é isso. As fotos estão no Flickr e, por favor, vejam ao contrário. A primeira foto é a última. Odeio o Flickr.

Sobre sexta-feira

04.06.10 - Nurembergue, 10h - Acabei o café da manhã e perguntei pela internet do hotel. A atendente me passou a senha e eu vim para o quarto testar. Por isso, subi o primeiro post internacional do blog. Depois saí para encontrar as meninas na próxima estação do metrô, a Hauptbahnholf, que significa estação central. É outra coisa quando você começa a entender as palavras e os caminhos. Ontem, eu estava bem mais perdida. Hoje, descansada e vendo tudo com luz do sol, entendi mais facilmente. Muita sorte ter pedido informação para pessoas que de fato puderam me ajudar: a moça da livraria, o cara que depois me disse que era morador de rua (não dá pra perceber) e o cara da sorveteria. Tudo bem que o hotel que eu estou custa três vezes mais que o hostel, mas eu achei um lugar pra ficar, confortável e seguro. Depois eu procuro um hostel.

Bom, na ida para encontrar as meninas na Hauptbahnholf, vi que a feira não era como a do Sesc, mas como uma feira livre: barracas de verduras, frutas, legumes, peixes, frios, carnes. Mas eles usam geradores e as barracas são espalhadas e não uma ao lado da outra como nas ruas de Santos. Até porque essas ficam numa praça, não tem razão de ser assim. Tudo muito bonito, mas caro também. Dá dó de ver o valor que eles pagam aqui para comer a mesma coisa que a gente paga quase um quinto menos. Ah, a feira dura até 6h da tarde e eles estão lá todos os dias. Depois vida de feirante brasileiro é que é difícil...

Em frente ao hotel, tem um monumento, o Schöner Brunen, ou, Beautiful Fountain, que, segundo a Michele (e o guia que eu peguei), um mago teria atendido o pedido de um homem que queria casar a filha depois que ele fizesse um anel que não mostrasse a solta. Assim, o monumento é uma espécie de roda dos desejos, uma coisa assim. É bem rococó, mas é bonito.

Bonitas também são as igrejas e castelos. No guia da cidade, eles falam quem "embora a cidade não tenha mil anos ainda..." Claro, é tão básico fazer mil anos, não?

Quando nos encontramos, acabamos voltando praticamente para onde eu estava. Só porque hoje eu comprei o ticket de transporte para o dia. Paga-se um valor um pouco mais alto, mas pode-se andar em qualquer transporte público. Como o deslocamento de hoje foi igual ao de ontem, acabou ficando o mesmo valor da despesa de quando comprei passagens individuais.

Pelas redondezas do hotel, fomos ver um chip para um celular. E adivinha? Comprei um smartphone da HTC que é equipado com o sistema Android, do Google. Agora estou com três celulares aqui. Ele é tão bonitinho. Reconhece redes wi-fi com a maior facilidade (!). - Naquelas, né? - Achando que tivesse na rede wi-fi do hotel, gastei os meus 20 euros de crédito falando com o Leco no GTalk. Mas não fui a única. A Michele fez a mesma coisa no acampamento do show. Até em matéria de fazer cagada nós somos parceiras.


Vimos muitas igrejas, monumentos e coisas interessantes. Tem uma fonte em uma praça, chamada Ehekarussel, ou Marriage-Merry-Go-Round, ou a Roda do Relacionamento. É bem mais engraçada do que qualquer piada sobre casamento que você já ouviu. As fotos estão no Flickr, mas basicamente, conta os passos de um relacionamento: o encantamento, o "enlance", de laçar mesmo, tem uma corrente no pescoço, a parte da mulher "consumir" demias e ser mais gorda que o marido, e, obviamente, o marido morrer de fome, as crianças, e o grand finale, os dois se pegando, com o homem levando a pior. Na cena da briga, tem uma espécie de dragão, salamandra, sei lá, que uma frase escrita que quer dizer mais ou menos isso: brigando pela eternidade.
Como o primeiro dia foi de muita andança e porque era sexta-feira, parei num bar com mesas na praça e tomei uma cerveja alemã. Não era muito gelada e era um pouco doce. Veio num copo de 500ml. Acho que não era de cevada. Por falar em bar, não sei se era feriado aqui também, mas me parece que eles adoram ficar no bar o dia todo. Todo tipo de restaurante ou bar com mesas na calçada, na praça, ou platz, está o dia todo cheio.

Estava lá curtindo minha breja quando chegou um homem de uns 40, 50 anos e sentou na mesa ao lado. Falou um tempão no celular e, quando desligou, me fez duas perguntas em alemão. Fail total. Expliquei que não entendia e pedi que falasse em inglês. Começamos a conversar e ele disse que esteve no Brasil há 20 anos, em Recife, e que era um lugar bonito, mas era pena o lance de turismo sexual. Aí ele me perguntou se o dinheiro lá ainda era cruzeiro, cruzeiro real, cruzado. Achei demais. Nós, achando que todo mundo sabe que somos "o" país do "cara" e nem sabem que a gente tem a mesma moeda faz 15 anos. Eu mostrei umas notas de real que eu tinha e disse que aquela era a moeda há 15 anos, na verdade, 16. E ele me mostrou que as moedas em euro, embora iguais, tem no verso uma coisa que lembra o país de origem delas: da Itália, tem aquele homem do Leonardo Da Vinci, a da Alemanha tem o Parlamento Alemão (acho), a da Holanda tem outra coisa que eu não sei o que é. Achei muito interessante. Depois ele foi embora, mas ficamos quase uma hora conversando.
Não sei se é porque Nurembergue é uma cidade turística ou se as pessoas aqui são assim mesmo, gentis e gostam de conversar. Só sei que essa história de povo frio não tá com nada.

Nesse dia, fiz muitas fotos. Estão todas no Flickr. www.flickr.com/brabuleta