domingo, 27 de junho de 2010

tchau, Zagreb

25.06.10 - Dias de partida são dias looongos. O trem para Munique-Leipzig parte à noite e o check-out do hostel é às 10 da manhã, ou seja, quase 12 horas para serem preenchidas em Zagreb, que já deu o que tinha que dar faz umas 24 horas. Outro problema é que a viagem dura quase dez horas e isso signfica muitas horas sem banho. Então, diante de todas essas adversidades, preferimos ter um dia light, bem light. Para a nossa sorte, tínhamos o jogo do Brasil para ajudar a passar as horas, mas chegou um momento em que eu estava muito, muito entediada.
Deixamos as malas no locker do hostel e saímos atrás de café da manhã. Para piorar, vários lugares estavam fechados devido ao feriado, inclusive uma espécie de padaria onde tomamos café nos outros dias.
Enfim, paramos no primeiro lugar que encontramos e resolvemos o problema da primeira refeição do dia com um gordurento salgado a base de massa de croissant e queijo - eu não vou poder ver croissant ou qualquer coisa parecida por um bom tempo quando voltar. Depois, lembramos que ainda tínhamos o Zagreb card e andamos de graça no bonde funicular, que equivale a subir 30 degraus. Depois eu não entendo por que engordo!
Revimos alguns pontos históricos do segundo walking tour que faltavam e desistimos de andar debaixo do sol e do calor. Paramos para "almoçar" - o que levou muito mais minutos que o normal - e depois pegamos um traim para irmos dar uma volta e gastar mais tempo. Chegamos ao shopping da cidade, que estava aberto com todas as lojas fechadas. Apenas um café bar aberto com dois garçons entediados. Mas valeu o sofá e a internet de graça, além de ter passado maaais tempo. Perto da hora do jogo, voltamos para o Centro. Assistimos  ao jogo e paramos para a Michele jantar. Eu não tinha fome nenhuma. Aí, o tempo começou a virar e dia lindo deu lugar a ventos fortes, trovões e nuvens pesadas. Fomos correndo para o hostel pegar as malas e talvez aguardar a chuva passar. Mas ela só ensaiava cair. Então, fomos para a estação esperar o trem para irmos embora.
A espera por lá também era longa, faltava mais de uma hora para o horário da partida. Eu estava cansada e entediada, mas a perspectiva de ir embora me animava.
Embarcamos e começamos a procurar nossa cabine. Nossas malas grandes evitavam que alguém quisesse sentar com a gente. Só que os lugares no vagão foram ficando escassos até que apareceu um senhor com um cachorro, que não falava inglês, nem alemão, só croata, querendo colocar a minha mala no bagageiro de cima. Por sinais, eu falei pra ele colocar, mas quando fosse embora, que pegasse de novo. Ele entendeu e concordou e sentou lá com a gente. O cachorro não era de todo ruim, mas chorava um pouco e não parava quieto. Para animar, duas meninas croatas que nos pediram informação na estação foram sentar lá na cabine com a gente, a Milena e a Vida. Elas estavam fazendo a primeira grande aventura da vida delas, indo pegar balada na Eslovênia, em Ljubljana. Elas eram bem doidinhas, mas muito simpáticas e se animaram toda com a possibilidade de conhecer o Brasil. Contaram como foi a vida delas com a guerra e o pai de uma delas morreu em combate. Foi meio chocante ouvir que às vezes a sirene soava e eles todos iam para os abrigos e que era uma coisa comum. Enfim, elas falavam muito, estavam a mil por hora e eu tava a fim mesmo era de dormir. Não sei o que acontece, mas chega perto das 11h, meia noite, eu simplesmente apago. E no trem não foi diferente, mesmo com a luz acesa e meninas falando e falando.
Um dos momentos bizarros da viagem, além do cara com o cachorro e dessas duas, foi a inspeção da polícia croata. A policial pediu os passaportes. Depois, ficou olhando as fotos, olhando para a gente um tempão. Pediu outro tipo de documento, como RG ou as carteiras de motoristas. A minha estava bem fácil por causa do carro alugado. Aí ela perguntou o nome da mãe da Michele. Para mim, pediu algum cartão de crédito com o meu nome. Para a Michele, pediu para escrever a assinatura na hora. Depois ela encanou no fato de não termos carimbo de entrada no país e perguntou por quê. Sei lá eu, dona encrenca! Sua colega não quis carimbar e eu que pago o pato? Bom, depois de muito desconfiar, ela carimbou os passaportes e foi encher o saco de outros coitados.
Na passagem pela Eslovênia, o policial foi um pouco mais simpático e não desconfiou de nada. Na Áustria, o policial quis saber o que carregávamos nas malas. Um pinguim! Haha, brincadeira, falamos que eram nossas coisas.
Bom, somando aos policiais, tínhamos os carinhas que vêm conferir o ticket. Umas quatro vezes o ticket da viagem foi verificado e carimbado. Dormir não coisa fácil.
O trem já era bastante lento e, para piorar, ele parou numa estação e ficou por quase uma hora lá. A viagem começou a ficar incrivelemente atrasada. A previsão de chegar às 6h em Munique foi reajustada para 8h30. Ainda tínhamos que pegar o trem de Munique para Leipzig.
O trem na Alemana é bem mais rápido, íamos a 150km/h. Mesmo assim, levamos quatro horas para chegar em Leipzig. Eu estava quebrada. A Francis, amiga da Michele, nos aguardava na estação de trem e nos levou de carro para casa. Ah! como é bom voltar à Alemanha. Depois de almoçar, fomos a uma loja que é a inspiração da Tok Stok, a Ikea. É igual. Dá vontade de comprar muitas coisas, depois da minha experiência em kuna, resolvi ficar só com uma luminária muito bonitinha para colocar no meu quarto.
Voltamos para casa para um churrasco vegetariano. E foi de tirar o chapéu. O Tomas, namorado da Francis, fez uma salada de batata com pepino em conserva e rabanete que ficou sensacional. Aqui parece que é fácil ser vegetariano, eles têm muitos molhos e patês que são deliciosos. Tinha, também, queijo temperado e linguiças e hamburguer de soja.
Depois de jantar e banho, fui para os braços do Morfeu e acordei que eu nem sabia onde estava.

Um comentário:

  1. Também conheci a Ikea no Canadá, era bem famosa! Minha mãe já zarpou pras Oropa e me abandonou aqui... Um conselho que ela recebeu foi: não ande na Europa de trem, pq vc tem que levar as suas malas sempre com vc... Deve ser um saco né?!

    Bjos!!

    ResponderExcluir