domingo, 6 de junho de 2010

Sobre sexta-feira

04.06.10 - Nurembergue, 10h - Acabei o café da manhã e perguntei pela internet do hotel. A atendente me passou a senha e eu vim para o quarto testar. Por isso, subi o primeiro post internacional do blog. Depois saí para encontrar as meninas na próxima estação do metrô, a Hauptbahnholf, que significa estação central. É outra coisa quando você começa a entender as palavras e os caminhos. Ontem, eu estava bem mais perdida. Hoje, descansada e vendo tudo com luz do sol, entendi mais facilmente. Muita sorte ter pedido informação para pessoas que de fato puderam me ajudar: a moça da livraria, o cara que depois me disse que era morador de rua (não dá pra perceber) e o cara da sorveteria. Tudo bem que o hotel que eu estou custa três vezes mais que o hostel, mas eu achei um lugar pra ficar, confortável e seguro. Depois eu procuro um hostel.

Bom, na ida para encontrar as meninas na Hauptbahnholf, vi que a feira não era como a do Sesc, mas como uma feira livre: barracas de verduras, frutas, legumes, peixes, frios, carnes. Mas eles usam geradores e as barracas são espalhadas e não uma ao lado da outra como nas ruas de Santos. Até porque essas ficam numa praça, não tem razão de ser assim. Tudo muito bonito, mas caro também. Dá dó de ver o valor que eles pagam aqui para comer a mesma coisa que a gente paga quase um quinto menos. Ah, a feira dura até 6h da tarde e eles estão lá todos os dias. Depois vida de feirante brasileiro é que é difícil...

Em frente ao hotel, tem um monumento, o Schöner Brunen, ou, Beautiful Fountain, que, segundo a Michele (e o guia que eu peguei), um mago teria atendido o pedido de um homem que queria casar a filha depois que ele fizesse um anel que não mostrasse a solta. Assim, o monumento é uma espécie de roda dos desejos, uma coisa assim. É bem rococó, mas é bonito.

Bonitas também são as igrejas e castelos. No guia da cidade, eles falam quem "embora a cidade não tenha mil anos ainda..." Claro, é tão básico fazer mil anos, não?

Quando nos encontramos, acabamos voltando praticamente para onde eu estava. Só porque hoje eu comprei o ticket de transporte para o dia. Paga-se um valor um pouco mais alto, mas pode-se andar em qualquer transporte público. Como o deslocamento de hoje foi igual ao de ontem, acabou ficando o mesmo valor da despesa de quando comprei passagens individuais.

Pelas redondezas do hotel, fomos ver um chip para um celular. E adivinha? Comprei um smartphone da HTC que é equipado com o sistema Android, do Google. Agora estou com três celulares aqui. Ele é tão bonitinho. Reconhece redes wi-fi com a maior facilidade (!). - Naquelas, né? - Achando que tivesse na rede wi-fi do hotel, gastei os meus 20 euros de crédito falando com o Leco no GTalk. Mas não fui a única. A Michele fez a mesma coisa no acampamento do show. Até em matéria de fazer cagada nós somos parceiras.


Vimos muitas igrejas, monumentos e coisas interessantes. Tem uma fonte em uma praça, chamada Ehekarussel, ou Marriage-Merry-Go-Round, ou a Roda do Relacionamento. É bem mais engraçada do que qualquer piada sobre casamento que você já ouviu. As fotos estão no Flickr, mas basicamente, conta os passos de um relacionamento: o encantamento, o "enlance", de laçar mesmo, tem uma corrente no pescoço, a parte da mulher "consumir" demias e ser mais gorda que o marido, e, obviamente, o marido morrer de fome, as crianças, e o grand finale, os dois se pegando, com o homem levando a pior. Na cena da briga, tem uma espécie de dragão, salamandra, sei lá, que uma frase escrita que quer dizer mais ou menos isso: brigando pela eternidade.
Como o primeiro dia foi de muita andança e porque era sexta-feira, parei num bar com mesas na praça e tomei uma cerveja alemã. Não era muito gelada e era um pouco doce. Veio num copo de 500ml. Acho que não era de cevada. Por falar em bar, não sei se era feriado aqui também, mas me parece que eles adoram ficar no bar o dia todo. Todo tipo de restaurante ou bar com mesas na calçada, na praça, ou platz, está o dia todo cheio.

Estava lá curtindo minha breja quando chegou um homem de uns 40, 50 anos e sentou na mesa ao lado. Falou um tempão no celular e, quando desligou, me fez duas perguntas em alemão. Fail total. Expliquei que não entendia e pedi que falasse em inglês. Começamos a conversar e ele disse que esteve no Brasil há 20 anos, em Recife, e que era um lugar bonito, mas era pena o lance de turismo sexual. Aí ele me perguntou se o dinheiro lá ainda era cruzeiro, cruzeiro real, cruzado. Achei demais. Nós, achando que todo mundo sabe que somos "o" país do "cara" e nem sabem que a gente tem a mesma moeda faz 15 anos. Eu mostrei umas notas de real que eu tinha e disse que aquela era a moeda há 15 anos, na verdade, 16. E ele me mostrou que as moedas em euro, embora iguais, tem no verso uma coisa que lembra o país de origem delas: da Itália, tem aquele homem do Leonardo Da Vinci, a da Alemanha tem o Parlamento Alemão (acho), a da Holanda tem outra coisa que eu não sei o que é. Achei muito interessante. Depois ele foi embora, mas ficamos quase uma hora conversando.
Não sei se é porque Nurembergue é uma cidade turística ou se as pessoas aqui são assim mesmo, gentis e gostam de conversar. Só sei que essa história de povo frio não tá com nada.

Nesse dia, fiz muitas fotos. Estão todas no Flickr. www.flickr.com/brabuleta

Um comentário:

  1. Oi Thalita,
    Aproveite muito, adorei esse negócio de blog.
    beijos
    Cris Rizzetto

    ResponderExcluir