quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Itariri da Alemanha

29.06.10 - Estamos hospedadas numa casa tipicamente alemã da parte ocidental. A arquitetura aqui é uma coisa meio estranha. Por fora, a casa é como outra qualquer. Assim que entramos, tem um hall, uma sala que era um escritório (e que ao lado fica a área de serviço) e uma escada. No segundo andar, temos duas salas: uma de estar, uma de tv, a cozinha e o banheiro (com tudo dentro). A estranheza é que as coisas não são interligadas. Eu diria que a cozinha é um quarto que foi adaptado, pela localização e pela maneira que ela está montada. É esquisito. Tem ainda um terceiro andar que deve ser um ou dois quartos, eu não sei porque não subi além do segundo.
Um problema para mim é que os moradores não falam inglês e eu não entendo nada de alemão. Me sinto meio muda, tenho que fazer mímicas, mas a parte mais bizarra ainda estava por vir. Chegamos pouco depois da uma da tarde e tínhamos um almoço nos esperando: uma couve-flor fervida sem qualquer tempero, batatas cozidas, champignon souté e umas salsichas de tofu fritas (um dos moradores não come nada que tenha origem animal). Para incrementar a couve-flor, a Heika (fala-se Raica) fez um "molho" com um pouco da água da couve-flor, farinha, açúcar e uma outra coisa lá. A ideia era ser agridoce, mas conseguiu se parecer com um leite desnatado levemente adocicado.
Éééé, e você aí reclamando do seu almoço, né?
Depois do almoço, fomos fazer uma coisa que eu achei bem legal (sério, não é zueira): fomos conhecer onde a Heika trabalhou (agora ela é aposentada), uma escola de 1ª série ao 10.º anos (sei lá, os alunos mais velhos têm 16 anos). Eles estão em férias de verão e o próximo ano letivo começa em agosto. As salas são grandes e deve caber uns 20, 25 alunos. São salas específicas da disciplina. A de Biologia tem material como esqueleto, cartaz com os tipos de bichos, estrutura óssea, enfim, biologia... Todas as salas têm um lavatório perto da porta de entrada e os alunos sentam em carteiras que acomodam duas pessoas. Do lado de fora, tem porta mochilas e casacos e fica tudo por lá, sem ficar espalhado nos corredores da sala de aula. Eles costumam colocar desenhos e coisas das matérias nas paredes do corredor e não tem nenhuma pichação. Ao final da aula, os alunos recolhem o lixo da sala e colocam as cadeiras em cima das carteiras (como nos bares, é cedo que se começa, hehe).
Na parede da escada, tem quadros com a foto das turmas que se formaram junto com a professora da turma. Uma graça. Os alunos têm aulas de artes, carpintaria (tem máquinas próprias) e noções de economia e direito, além de todas outras disciplinas. É realmente muito interessante ver que as coisas são muito parecidas com as do Brasil. E dá para notar que não é o dinheiro ou o investimento que faz a diferença na escola, mas a quantidade (e qualidade) de alunos que cada sala tem e a motivação das pessoas que trabalham nela.
Voltamos para a casa e fomos jantar. A parte bizarra está aí. A Michele se ausentou um pouco e ficamos eu e a Heika numa sala, tentando conversar. A gente não podia "atrapalhar" a outra conversa que estava rolando, sabe? Então ficamos lá, num jogo de mímica e de desenho, e ela falando alemão e eu balançando a cabeça como se entendesse alguma coisa. Até que ela resolveu me mostrar as fotos da última viagem dela para São Petersburgo, na Rússia, e do cruzeiro pela Escandinávia. Aí foi legal, pelo menos tinha imagens para ver. Ficamos vendo até o final e depois ela foi amparar uma das partes da outra conversa. Aí eu resolvi falar português com alguém e liguei pra casa, no Skype. Minha mãe atendeu e a Heika voltou. Ela viu e perguntou se era a minha mãe. Falei que sim e ela já foi pra frente do computador dar "oi" e desandar a falar alemão. Haha, muito simpática, mas ninguém se entendia por ali. Aí rolou um boa noite em português, que eu ensinei rapidinho, e ela foi dormir. Eu também.

* Itariri é a primeira cidade do Vale do Ribeira onde meu avô tem um sítio. Ela é mundialmente conhecida pela maior concentração de banana, japonês e cachorro por metro quadrado que se tem notícia até hoje. Há dois anos, ficou famosa porque encontraram pedras preciosas em alguns terrenos e começou a ter muita invasão e roubo. Este ano, teve o caixa eletrônico roubado numa ação audaciosa dos bandidos que "só" entraram com um carro no hall da Prefeitura. Teve até perseguição policial.
Teischen ainda não teve tanta urbanização assim. Está mais para Ana Dias do que para Itariri...

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