sexta-feira, 11 de junho de 2010

sobre terça-feira

08.06.10 - Eu sei, eu sei. Não atualizei mais, né? Os dias têm sido uma correria louca aqui. Vou precisar de férias das férias ser continuar neste ritmo.
A última informação que passei é de que eu estava chegando em Munique, certo? Na terça, fomos fazer o programa mais pesado de toda a viagem: visita ao Campo de Concentração de Dachau. O lugar é lindo, o ambiente, péssimo, sacaram? A quantidade de absurdos e crueldade que aconteceu lá é inimaginável até pisar nas celas, nas celas especiais, ver o "paredão" e as marcas de bala que insistem em aparecer mesmo depois de várias camadas de cimento. Sem dúvida, a pior parte é a do crematório. Disfaçado de ambiente tranquilo, como se fosse um retiro, o crematório coloca o terror frente a frente com quem o visita. Começa com uma sala de desinfecção, com canos no teto para jogar  água. A sala seguinte era a de "espera", onde, nas palavras da placa "as vítimas ficavam sabendo que iam tomar banho". A sala seguinte era onde eles se despiam e a próxima, o "chuveiro", ou seja, a própria câmara de gás. Um guia de outro grupo explicou que eles levavam até 20 minutos para morrer dentro da câmara. A sala depois do câmara era onde eles eram depilados, cabelo raspado e dentes de outro arrancados. A sala seguinte era a do cremátório, com fornos em que até quatro corpos eram colocados para virar cinzas. Muito, muito triste.
Os tipos de morte eram vários também. A exposição que fica no salão em frente as celas conta sobre os experimentos de medicina, como a ingestão de água do mar, para saber a capacidade de resistência no caso de ficar perdido no mar ou algo assim; a injeção de ar no cérebro, para testar a resistência em grandes altitudes e as de cirurgia mesmo, que muitas vezes deixavam pessoas sadias inválidas. Isso sem contar na infecção proposital por malária e tifo.
Anos depois, como o campo virou um memorial, foram instaladas três áreas religiosas: uma cristã, uma judaica e um convento carmelita, me parece, ao lado do campo. Tem também um com a inscrição em vários idiomas "never again".
Último detalhe é o das árvores imensas que foram um corredor onde eram os "pavilhões" onde os presos dormiam. Não conheço a espécie, mas, com o vento que batia no campo, elas soltavam uma semente que parecia pluma branca. Olhando o corredor ao longe, dava para ver várias voando, inclusive no rosto, mas era um voo tranquilo. Aquilo foi muito significante para mim, afinal, só naquele campo morreram 63 mil pessoas.
Para o resto do dia, fomos fazer coisas mais leves.



















Na Marienplatz, tem um grupo de "free walking tour" que leva os turistas de graça para um tour a pé pelo centro de Munique. Chegamos exatamente na hora e seguimos com o grupo. A primeira explicação é sobre o nome da cidade. Tem a ver com os monges e com o desenvolvimento que aconteceu ao redor do monastério. Como monge em alemão é algo como "munch", a cidade ganhou o nome de "München", ou Munique. A cidade foi muito importante para o III Reich e uma das primeiras investidas contra o povo judeu foi na Noite dos Cristais, que aconteceu em Munique, tendo, inclusive, a ordem do ataque partido de uma das salas localizadas no Centro da cidade. A andança nos leva a igrejas, sendo que uma, diz a lenda, foi concluída pelo diabo. Ela não tem janelas. E tem um pé marcado na pedra logo na entrada que, dizem, é do capeta. Tem uma imagem do Papa Bento XVI em forma de placa em alto relevo. O guia comentou a cerveja que o papa bebe. Claro que depois fomos experimentar.
Outra coisa bem interessante é que Munique tem Oktoberfest. A cidade, que tem 1300 milhões de habitantes, chega a receber 6 milhões no total e, reparem, de bêbados! Porque todo mundo vem para chapar o côco mesmo. A festa começou quando um rei, há 200 anos, foi pedir sua mulher em casamento e falou queria dar uma grande festa no dia da cerimônia. Convidou tanta gente, mas tanta gente, que abriu as atividades do Oktoberfest. Este ano, parece que a festa vai ser ainda mais caprichada porque vai ser a 200ª edição.
O passeio acabou na praça, às 6h, mas ainda tínhamos mais coisas a fazer. Todos os dias, também, sai da Hauptbahnhof um grupo de walking tour, só que de cerveja! Claro que fizemos. Só que este tem que pagar 14 euros para fazer parte do grupo e ganhar umas cervejas de meio litro e uma dose de Jägermeister, acho que tipo um Steinhaeger. É um walking tour muito divertido. O problema é que não pode passar mal. Se vomitar na rua, tem que pagar 50 euros. Tremi de medo. Mesmo assim, fomos a várias cervejarias, experimentamos diversos tipos de cerveja e foi todo mundo dormir beeeeemz legauzz.

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